O Último dos Moicanos: Metade...

quarta-feira, 3 de maio de 2006

Metade...

Metade de mim é fogo, metade de mim é chama. Metade de mim tem fome, metade de ti, reclama! Metade de ti é água. Metade de mim, desvario. Metade de mim tem sede de navegar no teu rio. Metade de mim juntou mas a razão quer separar. Metade de mim odeia a metade que te quer amar. Metade de mim é guerra, metade de mim, trovão. Metade de mim combate a força oculta da paixão. Metade de mim é vulcão, sombra negra de morte. Metade de mim é ilusão desfeita pelos ventos da sorte. Metade de mim é vazio, metade, nada contém... Metade de mim és tu, a outra metade, ninguém!
Apache, Maio de 2006

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19 Comments:

Blogger Cleopatra said...

Será que todos os homens sentem assim?

Ando baralhada com umas cabecitas masculinas que para aí andam.
São mais complicadas que alguns complicados temas técnicos...bla bla bla bla...

quarta-feira, maio 03, 2006 8:50:00 da tarde  
Blogger Apache said...

Devolvo a pergunta. Será que todas as mulheres sentem assim?

"Ando baralhada com umas cabecitas masculinas que para aí andam."
Desilusão ou fascínio?
E quem são os eleitos?

quinta-feira, maio 04, 2006 1:40:00 da manhã  
Blogger Cleopatra said...

Eleitos???
Ora que não faz por menos!

De qualquer forma... gostei da pergunta!!

os eleitos são desilusão e fascínio ao mesmo tempo.
Não é sempre assim????

quinta-feira, maio 04, 2006 1:59:00 da tarde  
Blogger Apache said...

Sempre!!!

quinta-feira, maio 04, 2006 7:18:00 da tarde  
Blogger DarkMorgana said...

Muito bonito!
Com mais tempo comentarei este poema à altura!

sexta-feira, maio 05, 2006 9:12:00 da tarde  
Blogger xavier ieri said...

"Metade de mim é vazio,
metade, nada contém...
Metade de mim és tu,
a outra metade, ninguém!"

Interessante!
É a primeira vez que vejo um manifesto nihilista sob a forma de poema.

domingo, maio 07, 2006 3:27:00 da tarde  
Blogger Apache said...

Portanto, desta vez, para variar, o Xavier resolveu elogiar o meu poema... Obrigado!

Reagindo à provocação...

Niilista no sentido em que Nietzsche o entendeu, não! Prova disso é que sou cristão convicto! Mas niilista no sentido dado inicialmente por Ivan Turgueniev em "Pais e filhos" de alguém que contesta em simultâneo o conservadorismo e a irreverência radicalista, sem dúvida!
Conhece aquele provérbio, "de médico e de louco, todos temos um pouco"? Aí tem um "manifesto" niilista.
É niilista a desilusão! É niilista a guerra!
Por vezes, vale tudo, mas... no respeito por determinados princípios "sagrados"!
Confuso?...

Sabe que mais... (para castigo) vou "linká-lo"!

segunda-feira, maio 08, 2006 12:56:00 da manhã  
Blogger xavier ieri said...

Abraço!

segunda-feira, maio 08, 2006 11:25:00 da manhã  
Blogger Cleopatra said...

Abraço aos dois!
De uma forma niilista ambos o merecem!

segunda-feira, maio 08, 2006 6:27:00 da tarde  
Blogger Cleopatra said...

Ah! E linke-o porque o Xavier merece.
Só eu não consigo pôr o raio dos links no meu blog.

segunda-feira, maio 08, 2006 6:28:00 da tarde  
Blogger DarkMorgana said...

Voltei!
Este poema lindo faz-me lembrar imenso a minha "História sem fim". Por isso fiz uma adaptação...

"Metade de mim é o ópio do sonho, o nevoeiro da cor…
outra metade o silêncio turvo do eclipse da vida…
Metade de mim é a seiva de noite… o aroma da dor…
Metade o riso amargo… metade a lágrima perdida…


Metade de mim é a história sem fim, a folha queimada…
Outra metade é a pegada na lama… o rasto de ser…
Metade é o frio da pedra… a sombra do nada…
Outra metade o destino que não vai acontecer…

segunda-feira, maio 08, 2006 9:28:00 da tarde  
Blogger Apache said...

Balha-me Deus... agora temos "um" abraço a três... ainda bem que é virtual senão lá se ía a minha reputação!
Vá lá, façam-me o favor de terem uma óptima semana...

terça-feira, maio 09, 2006 12:55:00 da manhã  
Blogger Apache said...

Quantos aos links, vamos ter que tratar disso!...

terça-feira, maio 09, 2006 12:56:00 da manhã  
Blogger Apache said...

Sabes Morgana, este teu poema é das melhores coisas que já li.

terça-feira, maio 09, 2006 12:58:00 da manhã  
Blogger xavier ieri said...

Raios...
Detesto ter de concordar...

E pela colocação, significação e a própria escolha das palavras ninguém duvidaria se fosse subscrito pelo Eugénio de Andrade, por exemplo.

Definitivamente, o sensitive side of morgana destronou, neste poema, o dark side.

terça-feira, maio 09, 2006 11:15:00 da manhã  
Blogger DarkMorgana said...

Meu Deus!!!!
É desta que o teclado se avaria!! A baba já vai na fila do "ASDF..."!

Muitíssimo obrigado aos dois pelos elogios pela "História sem fim" (que aqui não está completa!)!!!
Do que escrevi até hoje, é também o poema de que gosto mais!

O Apache já o conhece, mas se o Xavier quiser lê-lo todo, está na 4ª postagem de Janeiro.

Ó Xavier! Quem lhe disse que o dark side não é sensitive? ;)

quinta-feira, maio 11, 2006 8:45:00 da tarde  
Blogger xavier ieri said...

Morgana, Morgana
Tau tau!
Pois o que eu disse foi precisamente que era "sensitive".
Acontece que "neste poema" o "sensitive side" destronou o "dark side".
É ou não é?

Fui ver
É impressão minha ou há efectivamente fortes influências do Eugénio?
É que aquelas são palavras... mordidas, que esmagam com o peso de uma flor...
Pensei dizer "parabéns", mas não o faço, por ser simplesmente pretensioso da minha parte.
Prefiro dizer: Obrigado.

sexta-feira, maio 12, 2006 9:23:00 da manhã  
Blogger DarkMorgana said...

Na altura em que escrevi este poema lia alguns poetas...entre os quais Eugénio de Andrade...mas sinceramente não me lembro se foi ele que mais me influenciou...

E eu é que digo OBRIGADO!

sexta-feira, maio 12, 2006 8:59:00 da tarde  
Blogger Cleopatra said...

Apache, vai à procura da metade que amas.

segunda-feira, outubro 01, 2007 8:21:00 da manhã  

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