O Último dos Moicanos: Liberdade - Alexis de Tocqueville

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Liberdade - Alexis de Tocqueville

“Vejo uma multidão incontável de homens iguais que giram sobre si mesmos à procura de pequenos e vulgares prazeres com que enchem a alma.
Cada um deles, visto separadamente, é como que estranho ao destino de todos. (...) Não existe, a não ser em si e para si.
(...) Acima deles eleva-se um poder imenso e tutelar, que se encarrega de assegurar as suas necessidades e de velar pela sua sorte. É absoluto, detalhado, regular, preciso, previsível e dócil. Pareceria um poder paterno se tivesse como objectivo prepará-los para a idade adulta; mas, pelo contrário, procura apenas fixá-los perpetuamente na infância; quer que os cidadãos desfrutem, na condição de pensarem só em desfrutar. Trabalha de bom grado para o seu bem-estar, mas quer ser o único agente e o único árbitro, providencia a sua segurança, assegura as suas necessidades, facilita os seus prazeres, conduz os seus principais negócios, dirige a sua indústria, regula as suas sucessões, divide as suas heranças. Porque não haveria de tirar-lhes por completo o transtorno de pensar e o esforço de viver?!
(...) É assim que cada dia converte em inútil o emprego do livre arbítrio; encerra a acção da vontade num espaço menor e, reduz cada um ao uso de si mesmo.
(...) Depois de ter tomado, a pouco e pouco, cada indivíduo, nas suas poderosas mãos, e de o ter moldado à sua maneira, o soberano abre os braços sobre a sociedade inteira; cobre a sua superfície com uma rede de pequenas regras complicadas, minuciosas e uniformes, através das quais os talentos mais originais e as almas mais vigorosas não poderão encontrar a luz que as destaque da multidão;
Não destrói as vontades, mas amolece-as, submete-as e dirige-as;
Raras vezes obriga a agir, mas opõe-se, sem cessar, a quem actue;
Não destrói, mas impede que nasça;
Não tiraniza, mas estorva, comprime, enerva, apaga. Reduz, enfim, cada nação, a não mais do que um rebanho de animais tímidos e laboriosos, de que o Governo é pastor.”
P.S. “Estou convencido que, em qualquer época, eu amaria a liberdade; mas, na época em que vivemos, sinto-me tentado a idolatrá-la.”
Alexis de Tocqueville (1805-1859)

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6 Comments:

Blogger cris said...

Eheheheheheheh, pareces um pintor poeta... tá aqui tudo dito. Tal qual... Bravo. Adorei o texto, a ironia, o velado da mensagem. Parabéns!!!!!!

sexta-feira, julho 06, 2007 10:33:00 da tarde  
Blogger Apache said...

Cris, não é que eu não goste de elogios mas, o texto não é meu. Apenas o subscrevo.
Quanto a pintura, não tenho jeitinho nenhum.

sábado, julho 07, 2007 2:42:00 da manhã  
Blogger DarkMorgana said...

É o poder soberano de uma poderosa máfia...

sábado, julho 07, 2007 10:18:00 da manhã  
Blogger cris said...

ahahahahahah... Vês como os meus neurónios estão um must? Nem li as letrinhas pequenas. Tadito do autor deve ter ficado danado.
Ficam os parabéns ao autor e a ti que fizeste a escolha. Agora espero ter acertado.

segunda-feira, julho 09, 2007 12:36:00 da manhã  
Blogger Sulista said...

Vai ver isto:

http://haltadefinizione.deagostini.it/

;-)

Bjs

SULISTA

quinta-feira, julho 12, 2007 12:20:00 da tarde  
Blogger Apache said...

Nem mais, Morgana.

"Agora" acertaste, Cris.

Olá Sulista, belas imagens as deste "site"!

sexta-feira, julho 13, 2007 4:16:00 da manhã  

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