O Último dos Moicanos: A voz do dono

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

A voz do dono

No “Expresso” desta semana, Miguel Sousa Tavares (MST), atira-se, uma vez mais, aos professores, “personificando” o seu ataque à classe, na figura da Fenprof, como se fosse apenas esta organização sindical a única a denunciar o autismo da equipa governativa, cujas políticas de cariz popular visam sobretudo a destruição do pouco que ainda resta de qualidade no ensino em Portugal, descredibilizando, desprestigiando e denegrindo a imagem dos professores, que nos últimos 20 anos têm tentado por todos os meios ao seu alcance impedir a destruição do sistema público de ensino, enfrentando as vergonhosas políticas educativas impostas pelo conjunto de analfabetos funcionais que vêm povoando os corredores da 5 de Outubro.
MST, qual mabeco amestrado, late em sintonia com a voz do dono, sem saber do quê nem porquê, como facilmente se percebe pela falta de fundamentação das suas afirmações.
O “artista” desvaira assim…
“Saiu o regulamento para a classificação dos professores com vista à sua subida na carreira.” Não saiu, está em discussão com os representantes da classe.
“Desapareceu a enormidade da participação dos pais no processo (a menos que sejam os próprios professores a requere-la), evitou-se a discriminação de condições entre escolas boas e escolas «difíceis» e o que restou pareceu-me um sistema adequado e justo para premiar o mérito, a assiduidade e o esforço – certamente melhor do que nada.
Mas, claro, a Fenprof está contra – como sempre, sempre, está contra qualquer medida que exija resultados ao sistema e aos professores e que tente inverter a situação catastrófica em que tem vivido o ensino.” Pareceu-lhe justo? E pareceu-lhe, porquê? É que não parece a mais ninguém. Estou a exagerar, parece que há uma prima da Milú, um sobrinho do Jojó Calhau e uma afilhada do Lelé que concordam consigo, os outros 170 mil professores é que não.
Quanto à situação catastrófica do ensino, que tal dar uma olhadela pelos currículos: cargas horárias, número de disciplinas, conteúdos, orientações programáticas… E já agora, manuais escolares, qualidade das instalações e equipamentos escolares, número de alunos por turma, número de alunos por professor do ensino especial, tempo disponível para trabalho individual dos docentes…
“À Fenprof interessa apenas o que respeite ao bem estar dos professores, mesmo que à custa da perpetuação do subdesenvolvimento cultural do país.” Escreve-se “bem-estar”, com hífen. Não sei se sabe, mas as organizações sindicais foram criadas para defender os interesse dos trabalhadores, não os dos patrões, nem os dos clientes, esses têm organizações próprias.
“A Fenprof acha que um professor que falte deve ter os mesmos direitos que um que não falte; acha que um que obtenha melhores resultados não deve ser beneficiado relativamente a outro que se está nas tintas para os resultados dos alunos; acha que um sistema de classificação em que nem todos podem obter a classificação máxima está desvirtuado à partida; acha, em suma, que classificar professores em função do seu mérito e dos resultados obtidos é uma ofensa aos direitos adquiridos.” Estou convencido que você não é completamente estúpido, apenas imita muito bem.
Você acha que um professor que esteja doente, ou que tenha um familiar doente, a quem tenha de dar apoio, ou que falte para cumprimento de obrigações legais, por maternidade, paternidade, etc., tudo direitos consagrados na Lei, deve perder outros direitos. E quais? O de progredir na carreira, o de ser remunerado no final do mês, o direito ao emprego, ou a liberdade?
Fala dos resultados obtidos pelos professores mas quem obtém resultados (bons ou maus) são os alunos. Não conheço nenhum professor que goste do insucesso dos seus alunos, mas se estes não fizerem o seu papel, não há docentes que os salvem.
Não é a Fenprof que acha, são os professores que acham “que um sistema de classificação em que nem todos podem obter a classificação máxima está desvirtuado à partida”. Como reagiriam os meus alunos, se amanhã chegasse a aula e os informasse que apenas 5% deles poderiam obter 19 ou mais, que apenas 20% poderiam obter 17 ou 18 (independentemente do mérito de cada um) e que só passariam os que obtivessem nota superior a 14, numa classificação onde predominam critérios profundamente subjectivos e onde o avaliador tem tantas ou menos competências que os avaliados?
Quanto à conclusão que tira é, demagoga, falaciosa e infundada. Nunca ouviu nenhum dirigente sindical, ou professor, recusar-se a ser avaliado pelo mérito.
Quando não sabe do assunto, o inteligente fica calado, o esperto verborreia.
P.S. Não sou, nem nunca fui filiado em qualquer organização sindical.
Apache, Outubro de 2007

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16 Comments:

Blogger gata said...

Olá...

Afinal não achei bem ficar a ronronar-te no telhado...não! Acho que mereces algo bem mais rebuscado e sendo assim, achámos por bem, a Gata e a Ki, que fosses o nosso primeiro convidado para escrever aqui : http://s-p-e-e-d.blogs.sapo.pt/ .
Podes falar de aquecimento e de falta de ar, mas o tema não é tão aberto assim, como poderás ver.

Aceita o nosso convite, índio endiabrado...não me queres a ronronar no teu telhado...

Agradecemos que envies o teu texto para lazy.cat@sapo.pt.

E por seres o primeiro, só mais uma coisa, por favor, passa o desafio à Ki!

Beijinhos....desta vez não te li!

segunda-feira, outubro 01, 2007 5:45:00 da manhã  
Blogger Cleopatra said...

OLá Apache
O teu poema "Que" foi indicado para "Caneta de Ouro"
Bjito e bom dia!

segunda-feira, outubro 01, 2007 8:30:00 da manhã  
Blogger KI said...

Olá Apache:

Pessoalmente gosto do MST como escritor e bastante mas quase o abomino como comentador. De facto é falacioso nas opiniões que debita sem estar 'dentro do convento' mas sei que tb, como quase todos os cidadãos a classe ensinante deste país não é tão uniforme assim como dizes e muitos são uns baldas que não estão nem aí para os alunos. Outros sim são um complemento da família e fazem do ensino a sua vocação, é preciso não esquecer que muitos professores o são apenas porque não tiveram outra alternativa no mercado de trabalho depois da licenciatura que tiraram.

Acho errado os professores voltarem ás pautas, e correcto o maior controlo que existe nas faltas por eles dadas ao longo do ano. A quota q existe nas classificações é completamente absurda e muito bem exemplificada por ti, mas a excelencia amplamente divulgada na Função Pública era desprovida de qualquer milimetro de bom senso. Talvez este caminho tortuoso seja um passo para que se encarrilhe por outro mais certo, a ver vamos. Eu do ponto de vista de cidadã e tu na classe dos docentes que tão amargamente sempre aceitam qualquer mudança, é um facto caro Apache, mas a excepção confirma a regra.

Até já.

P.S: - Espero q aceites o convite da Gata, escreves muito bem e és versátil :)

segunda-feira, outubro 01, 2007 6:33:00 da tarde  
Blogger redonda said...

Muito bem escrito e apoiado!
(quer pela minha irmã, quer porque quando ele falou sobre a minha profissão, também falou do que não sabia, sem fundamento para as suas opiniões)

segunda-feira, outubro 01, 2007 9:30:00 da tarde  
Blogger Apache said...

Para a Gata…
“Afinal não achei bem ficar a ronronar-te no telhado” Ainda bem, não fosse a vizinhança aparecer com as caçadeiras…
“desta vez não te li!” que falha imperdoável.

Para a Cleópatra…
Obrigado pela nomeação, fico com o ego mais gordo, mas não pode nomear este poema, porque foi publicado no blogue em 2006. A Gata já me tinha nomeado com um poema de 2007, mas eu não aceitei a nomeação, porque os criadores do prémio, pessoas certamente honestas mas que eu não conheço de lado nenhum, pedem o nome completo, a idade e a cidade onde moramos, e a mim parecem-me dados a mais para um concurso deste tipo. Por não concordar com as regras do concurso, decidi não participar.
Beijinho.

Olá, Ki. Obrigado pela visita.
Não conheço a escrita do MST, apesar de já ter ouvido várias pessoas elogiarem o polémico “Equador”.
Quanto à classe docente, obviamente não é uniforme, em todas as classes há bons e maus profissionais, felizmente a larga maioria são bons (em todas as profissões), mas basta 1% de maus e é desses que se passa a falar.
Para “vender” o novo Estatuto à opinião pública, o Ministério contou várias mentiras e distorceu dados estatísticos. Chegou a falar-se do elevado absentismo dos professores, que são só, a classe profissional com menos faltas por trabalhador, em todo o funcionalismo público. Apresenta-se o insucesso como sendo culpa quase exclusiva dos professores, esquecendo que eles são a menor fatia do problema. Divide-se a classe em duas categorias profissionais hierarquicamente distintas quando em ambas, a formação dos docentes é a mesma. Entra-se para uma profissão com uma determinada expectativa de carreira e ao fim de 10, 20 ou 30 anos de carreira, tudo muda, a progressão na carreira acaba, ficas 15 ou 20 anos com igual ordenado, ou recebes aumentos anuais muito inferiores à taxa de inflação, como aconteceu nos últimos 7 anos, reformaste não se sabe muito bem quando, talvez aos 75 anos, com 50 de carreira, perdes regalias sociais, perdes ou vês limitados direitos consagrados na Constituição da República, achas que a motivação para trabalhar é a mesma? Alguns colegas dizem que vão passar a fazer o mínimo possível, a profissão deixou de ter qualquer interesse para muitos. O problema é que ter uma classe desmotivada e desinteressada, programas desajustados e confusos, uma péssima qualidade de ensino e diplomas para todos, sem qualquer valor e sem quaisquer competências e saberes adquiridos pelos alunos é precisamente o que a ministra quer, por isso, obriga-me a remar contra a maré e a tentar todos os dias fazer o melhor que sei e posso, nem que seja só para contrariar.

Olá Redonda, Beijinho. Tenho que te visitar mas não vai ser hoje, que o trabalho começa daqui a 6 horas.

terça-feira, outubro 02, 2007 2:12:00 da manhã  
Blogger gata said...

Olá.
Já publicámos o teu texto. Obrigada.
Apache, se a inspiração te agarrar, guarda o texto, a roda gira, e volta a passar.
Já to disse uma vez, volta a poemar....
Aqui deixo-te um beijo, porque me apetece, e não te comento o texto, mas já te "ouvi".
Boa noite e bons sonhos Apache.

terça-feira, outubro 02, 2007 2:26:00 da manhã  
Blogger Apache said...

Ok, beijos.

terça-feira, outubro 02, 2007 2:32:00 da manhã  
Blogger gata said...

Ainda estás aqui?
acabamos de colmatar uma falha grave. agora já todos sabem de quem é o texto "Pedro e Inês" desculpa. E neste caso ter um mail teu era tão melhor! (já sei que sou chata!) ;)

terça-feira, outubro 02, 2007 2:42:00 da manhã  
Blogger Sulista said...

Sorry mas nem me vou dar ao trabalho de me irritar por causa desse anormal do MST. Ele não merece isso sequer ;-)

Bjs

Com que atão, poeta hein? :-D


A Sulista

terça-feira, outubro 02, 2007 6:06:00 da manhã  
Blogger M@nza said...

"P.S. Não sou, nem nunca fui filiado em qualquer organização sindical."
Olá Apache
Realmente o nosso "amigo" MST tem por costume falar do que não sabe, pensando ser "expert" no assunto e depois dá no que dá. METE OS PÉS.
Já não é a primeira vez que o faz.
...
Este texto merecia ser a resposta que a FENPROF certamente não fez?
..
um abraço e boa semana

terça-feira, outubro 02, 2007 4:01:00 da tarde  
Blogger cris said...

“À Fenprof interessa apenas o que respeite ao bem estar dos professores, mesmo que à custa da perpetuação do subdesenvolvimento cultural do país."

É interessante... no mínimo a visão redutora que este fulaninho tem do subdesenvolvimento do nosso país...
Não se deve a medidas avulsas dos sucessivos desgovernos, não... nem tão pouco ao autismo, como tu bem referes... Este senhor nem parece filho de Sophia e de Francisco... não... tornou-se barão como toda a corja politiqueira... o subdesenvolvimento do país deve-se a medidas catastróficas do foro económico inescrupuloso de quem desgoverna. Ou também vai culpar os profs pelo estado da saúde no país?


O que mais me irrita é que recebe por escrever tretas sem sentido, desconhecendo a realidade. Importará a este senhor saber que os meninos ficam horas a fio sem ver a verdadeira família? Ou que a qualidade da nossa atenção diminua em proporção inversa ao aumento de número de alunos por turma? Importará sequer que os meninos com necessidades educativas tenham visto as portas fechar por causa de uma nova lei economicista?

Se fosse plantar batatas talvez ajudasse mais a melhor o desenvolvimento deste país. desculpa Apache mas tirou-me do sério semelhante figurinha. É apenas mais um frustrado...


Boa semana e perdoa o espalhanço que aqui deixo.

quarta-feira, outubro 03, 2007 1:07:00 da manhã  
Blogger Apache said...

"acabamos de colmatar uma falha grave. agora já todos sabem de quem é o texto "Pedro e Inês" desculpa." Era suposto que não deviam saber, Gata?

"Com que atão, poeta hein?" Não, Sulista, só escrevo um poemazito ou outro, de vez em quando. Está no perfil, como é que não sabias?

"Já não é a primeira vez que o faz."
Pois não, Manza. Já o fez diversas vezes e sobre diferentes temas.
Boa semana.

"tirou-me do sério semelhante figurinha." Também a mim, Cris.

quarta-feira, outubro 03, 2007 1:27:00 da manhã  
Blogger gata said...

Apache...
Era e é suposto todos que visitem o Speed ficarem a saber exactamente quem escreveu o quê.
Não nos apercebemos e tínhamos deixado o teu texto sem identificação.
E depois de me teres "alcunhado" de voça ronronanxia(gggrrrrr)não me apetece desafiar-te.

um ...beijo?

quarta-feira, outubro 03, 2007 2:38:00 da manhã  
Blogger Apache said...

:)
Dois!

quarta-feira, outubro 03, 2007 2:42:00 da manhã  
Blogger gata said...

:)

quarta-feira, outubro 03, 2007 2:46:00 da manhã  
Blogger jose carlos said...

parabens ,parabens ,força ,força com textos como estes...
forte e sem do eles merecem
continue...

quarta-feira, outubro 10, 2007 6:49:00 da tarde  

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