O Último dos Moicanos: E (quase) tudo o vento levou

quinta-feira, 27 de março de 2008

E (quase) tudo o vento levou

Ontem, os vereadores do PSD abandonaram a reunião da Câmara Municipal de Lisboa. O motivo de tal decisão foi a retirada de uma proposta do vereador José Sá Fernandes, de instalação de aerogeradores na cidade, no âmbito da iniciativa “Wind Parade”. No decurso do debate, percebeu-se a intenção de toda a oposição votar contra a proposta, o que, a acontecer, significava a não aprovação desta. É então que Sá Fernandes retira a proposta, para que esta possa ser aplicada à revelia da maioria dos vereadores eleitos, por via de um despacho do senhor presidente, António Costa, que à saída confirmou aos jornalistas presentes que a iniciativa é para seguir em frente. Pergunto… Sendo do âmbito das competências do presidente da edilidade, a tomada de posição relativamente a este assunto, por mais idiota que a proposta seja, com que objectivo foi levada a plenário? Uma vez iniciada a discussão, não deveria a proposta ter sido votada e respeitada a decisão de um órgão que não é consultivo? Terão António Costa e Sá Fernandes, alguma noção, ainda que muito básica, da moral e da ética democráticas? Ainda as turbinas eólicas não passaram do papel e quanto a democracia em Lisboa, já (quase) tudo o vento levou.
Apache, Março de 2008

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5 Comments:

Blogger Bic Laranja said...

São todos uns cabeças de vento.
A propósito: a quem pertence o vento que faz os aerogeradores debitar quilovátios ou joules ou lá o que é?
Cumpts.

quinta-feira, março 27, 2008 11:42:00 da tarde  
Blogger cris said...

Fizeste-me lembrar a Mary Poppins. Por que carga de "vento" não vem uma rabanada que os leve a todos para um sítio bem longe daqui?


beijocas

sexta-feira, março 28, 2008 12:15:00 da manhã  
Blogger Do éter para o éter said...

E tudo ao vento voltará!
Se é nas cidades que se consome a energia qu sejam elas a embelezar-se e a suporte os seus pilares!!
Odeio eolicas na natureza.....

sexta-feira, março 28, 2008 12:57:00 da manhã  
Blogger cris said...

Digamos que, sendo um governo com laivos de ditadura, era bem capaz. O que é certo é que o sr. antónio Costa sempre demonstrou particular apetência para atitudes próprias de cobra, contorce-se e pronto... estamos bem entregues, não haja dúvida...

quanto ao vendaval... ainda tenho esperança que um tornado se concentre em certos sítios do país... :)

sexta-feira, março 28, 2008 11:41:00 da manhã  
Blogger Apache said...

Olá, caro Bic Laranja, obrigado pela visita.
“A quem pertence o vento?” É uma boa pergunta, eu diria que aos mesmos a que pertence o Sol, a água, etc. Ou seja, a todos. E isto levava-nos a uma longa discussão sobre a licitude do enriquecimento com os negócios da energia, algo que não se cria nem se perde. Talvez um dia destes saia um “post” sobre isso.
Já agora, a performance de uma máquina é determinada pela sua potência, que no Sistema Internacional de Unidades se mede em Watt (ou múltiplos dele, como o quilowatt), em homenagem a James Watt, inventor da máquina a vapor. Mas como uma máquina, não funciona um instante, mas um intervalo de tempo, a energia que transforma durante esse tempo é tanto maior quanto maior for a sua potência e/ou quanto mais tempo funcionar. A energia mede-se no Sistema Internacional em Joule.
Conclusão, ambas as unidades que usou estão correctas (neste caso), embora meçam grandezas diferentes, porém relacionadas.
Cumprimentos e volte que a porta está sempre aberta.

Este é um país pouco ventoso, Cris :(

Olá, Do éter para o éter, é sempre bem-vinda.
Nem toda voltará a vento, alguma energia será transformada em som e imagem, outra em calor, outra ainda em trabalho, etc., etc. :)
“Se é nas cidades que se consome a energia que sejam elas a embelezar-se e a suportar os seus pilares!”
Isto faz-me lembrar a “estória” do utilizador/pagador. Não concordo, mas não vou discutir isso agora, porque não era este o sentido do “post”. Se o senhor António Costa gosta de “eólicas” e faz parte das suas competências aprová-las ou não, então só tinha que aprovar o projecto do senhor Sá Fernandes, em vez de o levar a discussão ao plenário da Câmara. Uma vez que o levou, devia aceitar a opinião da maioria, ainda que contrária à dele, é o risco do “jogo” democrático.
Imagine que o governo decide fazer um referendo sobre matéria para a qual tem competência para legislar. Nesse referendo o governo apela ao “sim”, mas a maioria dos portugueses vota “não”. Com que moralidade e legitimidade vai depois o governo dizer que como é da sua competência decidir, vai optar mesmo pelo “sim”?

sexta-feira, março 28, 2008 2:42:00 da tarde  

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