terça-feira, 20 de maio de 2008

O preço dos combustíveis...

A real dimensão do escândalo
Já tinha feito referência (em “post’s” anteriores) à ridícula justificação dos brutais aumentos dos preços dos combustíveis, em Portugal, com o aumento do preço do petróleo nos mercados internacionais, uma vez que este é pago em dólares, moeda que nos últimos anos tem tido uma acentuada desvalorização face ao euro. No entanto, como todos sabemos, uma coisa é o preço a que o petróleo é vendido nos mercados internacionais, outra bem diferente, é o real custo da sua exploração e refinação. E, se comparar-mos o preço de venda dos combustíveis, em Portugal, com uma estimativa (seguramente por excesso) dos seus custos de produção, o escândalo que constitui os lucros do Estado e das petrolíferas, assume proporções astronómicas. Tomemos como exemplo, a Venezuela, um dos países que apresenta os combustíveis mais baratos em todo o mundo e o nono maior produtor mundial de petróleo. No passado dia 13 de Maio, um jornalista português constatou que, bem no centro de Caracas, a gasolina sem chumbo custava 0,091 bolívares por litro, numa bomba da (americana) Texaco. Ouvindo o responsável pelo posto de abastecimento, este confessava que os tempos eram maus para o negócio, pois a Texaco comprava os combustíveis à PDVSA (a petrolífera do estado venezuelano), ganhando apenas 0,02 bolívares em cada litro de gasolina vendido). Significa isto, que a PDVSA vende (pelo menos à Texaco) a gasolina a 0,071 bolívares. Admitindo que a petrolífera estatal tem um lucro (no mínimo) idêntico, ao da empresa dos Estados Unidos, então o preço de produção da gasolina é de 0,051 bolívares por litro, o que à cotação de hoje, equivale a 0,0153 € (3$00 na antiga moeda nacional). Depois é “só” transportá-la para Portugal, aplicar-lhe a margem de lucro, somar-lhe os impostos nacionais e vendê-la a (preços de hoje nas bombas da Galp) 1,474 € (295$50 na antiga moeda), ou seja 96 vezes mais cara. Por outras palavras… Em cada litro de gasolina vendida hoje, em Portugal, o Estado arrecadou em impostos 86,5 cêntimos e as petrolíferas lucraram (depois de subtraídos os custos de prospecção, extracção, refinação e transporte) mais de 60 cêntimos. É costume dizer-se que para o negócio, é preciso ter jeito, eu diria antes, que é preciso ter lata, muita lata…
Apache, Maio de 2008

10 comentários:

Unknown disse...

Apache,

Por acaso teve em conta que o preço da gasolina é, na Venezuela, subsidiado pelo Estado???

cris disse...

Well, depois de ouvir hoje a ave rara no parlamento a fugir às respostas com demagogia nojenta, sabes que mais? Vou atestar a espanha não tarda e ponho os políticos a andar de bibcicleta. Têm uma lata!!!!! Vigaristas e ladrões, é o que são. desgraçadamente não consigo ver a luzinha ao fundo do túnel...

Beijocas

Apache disse...

Boa-noite (ou bom-dia), Bz.
Não me parece uma atitude muito sensata da parte dos governantes venezuelanos, gastar dinheiro dos contribuintes a subsidiar algo que é quase esbanjado (tendo em conta a cilindrada dos carros que enchem as ruas de Caracas) e muito barato.
Mas admitamos que sim. E subsidia em quanto? 60%? Se assim fosse, sem subsídio, a gasolina custaria 0,05 € por litro (10$00 na moeda antiga). E no Irão? E na Arábia Saudita? O estado subsidia?

Apache disse...

Também não vejo luzinha nenhuma, Cris.
Bom feriado!

Diogo disse...

Portanto, comprar a 3$00 e vend�-la a 295$50!

N�o � preciso ter lata, basta apenas um monop�lio (que inclui o poder pol�tico).

Obrigado pela dica sobre a taxa fixa do ISP. Julgava que era proporcional. J� corrigi o post.

Diogo disse...

Cris, existe uma luzinha ao fundo do túnel – chama-se tele-trabalho. Dado o avanço dos computadores, do software e das telecomunicações, e sabendo que cada vez mais trabalho é feito em computador, a pressão será para se trabalhar em casa. É uma poupança fabulosa para as empresas em instalações e uma poupança para o trabalhador em deslocações.

Dentro em pouco, viajaremos penas por lazer.

Unknown disse...

Apache,

Sobre o custo do subsídio à gasolina na Venezuela, sugiro a leitura de artigo do NYT:
"Many Venezuelans consider the subsidy a birthright even though it bypasses the poor, who rely on relatively expensive and often dangerous public transportation. Economists estimate that it costs the government of President Hugo Chávez more than $9 billion a year."

No Irão também a gasolina é subsidiada:
"In oil-rich Iran, civil unrest spread through Tehran this summer after the government rationed gasoline in an effort to curb the country’s addiction to cheap fuel; gasoline in Iran, imported because the country lacks refining capacity, is heavily subsidized and cost about 40 cents a gallon at the time. After two days of upheaval, the Islamic theocracy restored order and kept the policy."

E também este artigo:
"Iran offers the highest subsidies for gasoline in the region, buying foreign gasoline for slightly more than $2 a gallon, according to official figures, and offering it for 34 cents a gallon."

Apache disse...

Mantenho que não me parece uma medida muito inteligente, da parte dos governantes, BZ, ainda assim…
A ser verdadeira esta notícia do New York Times, significa que o subsidio atribuído pelo governo venezuelano é maior que aquele que eu supunha, cerca de 0,035 € por litro. O que significa que sem este subsídio, a gasolina custaria 5 cêntimos.
Quanto aos iranianos (de novo a fazer fé na notícia e admitindo que os galões são americanos) compram “gasolina estrangeira” a 0,365 € por litro. A como a comprarão os portugueses?

Unknown disse...

"Quanto aos iranianos (...) compram «gasolina estrangeira» a 0,365 € por litro. A como a comprarão os portugueses?"

Não muito diferente! A 16 de Maio de 2008 os portugueses compravam a gasolina, antes de impostos, a 0,39 dólares (0,60383/1,5447).

Nota: o artigo anteriormente sugerido é de Junho de 2007; certamente que o Governo iraniano paga hoje mais pela gasolina.

Apache disse...

A minha pergunta (não muito bem formulada, diga-se) era, a como a comprarão as empresas que operam em Portugal?
A preços de hoje (1,50 €), sobre a gasolina “sem chumbo” 95, incidem 87 cêntimos de impostos (25 cêntimos de IVA + 62 cêntimos de ISP). O que significa que livre de impostos custaria 0,63 €. A dúvida é, quanto lucra a Galp, com a venda a este preço exorbitante (63 cêntimos) face aos custos de produção, que os “lucros” do Estado (87 cêntimos) já sabemos que são escandalosos.