O Último dos Moicanos: Março 2010

quarta-feira, 31 de março de 2010

A “reencarnação” de Valter Lemos

Falando à TSF, no final duma audição na Comissão de Educação da Assembleia da República, a Ministra da Educação afirmou que a nova proposta de Estatuto do Aluno, que o Governo se prepara para apresentar ao Parlamento, “não inclui a reprovação por faltas”. O que na prática significa que o Governo que há alguns meses aprovou a extensão da escolaridade obrigatória até aos 18 anos, propõe agora a eliminação do dever de frequência. Maria Isabel Vilar acrescentou ainda que a escola deverá impedir “que o aluno repetidamente falte”, o que pode ser conseguido deixando-o ao final da tarde amarrado à mesa da sala de aula ou indo buscá-lo a casa na manhã seguinte (com disse ontem, no Prós e Contras, ser prática habitual no agrupamento que dirige, a hilariante directora do Agrupamento de Escolas de Almodôvar). Há poucos dias a responsável máxima pelo sector educativo havia prometido que o novo Estatuto passaria a diferenciar as faltas justificadas das injustificadas, o que, de facto, já acontece no actual (veja-se o n.º 1 do artigo 19.º) tal como se verificava no anterior; tendo também prometido um reforço do poder dos directores, no sentido de virem a poder suspender preventivamente um aluno alvo de procedimento disciplinar, o que também está previsto tanto no actual (n.º 1 do artigo 47.º) como no anterior diploma. Cada vez que a Senhora Ministra da Educação abre a boca para a comunicação social, o anedotário nacional fica mais rico. Parabéns, senhora ministra.
Apache, Março de 2010

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sábado, 27 de março de 2010

A laranja rosa

O PSD parece-se cada vez mais com o Partido do Sousa, cada vez que é necessário escolher algo decide-se sempre pela pior das opções. Nada de novo, aqui, “debaixo” do Sol.
Apache, Março de 2010

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sexta-feira, 19 de março de 2010

“O PEC peca por parco”

"É irónico que os problemas económicos possam ser responsáveis pelas maiores desigualdades sociais mas que a economia, enquanto ciência, seja tão igualitária. Alguns dos maiores especialistas em economia previram tanto como eu o aparecimento da crise. A economia tem essa característica fascinante: por muito que alguém se dedique a estudá-la, aparentemente continua a ser um leigo. Um grande administrador tem tanta dificuldade em evitar a calamitosa falência de um banco como um merceeiro versado apenas em contas de somar. Por isso, é com a consciência invulgarmente tranquila que me dedico à análise económica: na pior das hipóteses, os meus comentários farão tão pouco sentido como os de um professor de economia. Quando o governo propôs o Programa de Estabilidade e Crescimento, a minha primeira impressão foi a de que o PEC tinha um E a mais. Duvido de que a nossa economia precise da ajuda de um programa para estabilizar, uma vez que se encontra estável (no sentido em que um paciente em estado comatoso se mantém estável) há muitos anos. As críticas de alguma oposição parecem-me ainda menos pertinentes. É falso que o Programa de Estabilidade e Crescimento obrigue uma parte significativa dos portugueses a apertar o cinto. E é falso sobretudo na medida em que aquilo que os portugueses têm à cintura já não é um cinto há algum tempo: é um garrote. O que vai ser preciso apertar agora é o garrote. O grande raciocínio que sustenta a actual estratégia económica é importado da caça: o importante é não afugentar. Não convém taxar os lucros dos bancos e das grandes empresas para não afugentar o investimento. É desaconselhável taxar as transacções da bolsa para não afugentar o capital. Quem sobra? Os trabalhadores - que, além de serem muitos, são gente que não se deixa afugentar, porque precisa mesmo do emprego. Um trabalhador por conta de outrem trabalha, na verdade, por conta de dois, digamos, outrens: por conta do empregador e por conta do Estado. São os trabalhadores, e não as empresas e os bancos, os grandes "criadores de riqueza". Criam a riqueza dos patrões e a do Estado, que depois toma essa parte da riqueza e a devolve às empresas e aos bancos, sob a forma de nacionalização do que der prejuízo e privatização do que der lucro. Nota-se muito que estou a assobiar a Internacional enquanto escrevo isto? A política fiscal é igualmente clara: as pessoas que ganham menos do que eu pagam menos impostos do que eu; a generalidade das que ganham mais também paga menos impostos do que eu. O governo alega que irá aumentar a taxa de impostos a quem ganha mais de 150 mil euros por ano, o que seria uma excelente medida, mas não é exactamente verdadeiro. O governo vai aumentar a taxa de impostos a quem declara mais de 150 mil euros por ano, o que é ligeiramente diferente. Não há assim tantos contribuintes nessas condições. Resta a consolação de constatar que o congelamento dos salários dos funcionários públicos não é uma medida assim tão áspera. Os salários, a bem dizer, têm estado no frigorífico. Não vão propriamente sofrer um choque térmico."
Ricardo Araújo Pereira, na “Visão” do passado dia 11

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sábado, 13 de março de 2010

“Send me an Angel” - Scorpions

Ao nonagésimo oitavo disco editado, anunciaram (no passado mês de Janeiro) o fim da carreira. A tournée que se inicia na próxima segunda-feira em Praga (e que ao que parece terminará apenas no próximo ano) será, de acordo com o ‘site’ oficial, a última da banda que há 45 anos nasceu em Hanôver. O vídeo que se segue apresenta uma das músicas de um dos mais memoráveis espectáculos que proporcionaram. Estávamos a 6 de Setembro de 2003 e durante toda a noite, os Scorpions tocaram para mais de meio milhão de fãs, na Praça Vermelha em Moscovo, ao lado da Orquestra Filarmónica da Federação Russa.

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Apache, Março de 2010

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quinta-feira, 11 de março de 2010

Estratégias há muitas…

"Em 2000, a preocupação com a estagnação económica do continente levou a UE a elaborar um amplo sortido de políticas destinadas a transformar a Europa na "mais competitiva e dinâmica economia avançada do mundo". Ao conjunto de políticas chamou-se Estratégia de Lisboa e 2010 foi o ano previsto para a consagração plena dos seus objectivos. Ora bem, eis 2010 e dificilmente se pode dizer que o plano tenha sido um sucesso, pelo que seria de esperar dos senhores da UE um pedido de desculpas, uma retractação, um comunicado a reconhecer que, de facto, não sabem a quantas andam e vão procurar um ofício menos desadequado às suas capacidades do que a imitação suave de Estaline e a reforma dos povos por decreto. Em vez disso, porém, a título comemorativo a UE oferece-nos, adivinhem (rufar de tambores)... Acertaram em cheio: um novo plano ambicioso que irá "assegurar a saída da crise e preparar a economia da UE para a próxima década"! Ou seja, mais decretos, mais reformas, mais estalinismo doce, tudo embrulhado sob o delicado nome Estratégia Europa 2020. E como se processará essa maravilha? Nas palavras do presidente da Comissão, combatendo "de forma decisiva os nossos pontos fracos" e apostando "nos nossos pontos fortes". Até agora, pelos vistos, fez-se ao contrário. Mas o dr. Durão Barroso vai ao pormenor: "Temos de construir um novo modelo económico baseado no conhecimento, numa economia hipocarbónica [lindíssima expressão] e numa elevada taxa de emprego." Dito de diferente e igualmente bela maneira, a Estratégia Europa 2020 terá "três áreas prioritárias interdependentes": o crescimento "inteligente", o crescimento "sustentável" e o crescimento "inclusivo", por oposição aos crescimentos imbecil, intolerável e restrito que falharam rotundamente. Será possível suplantar tamanho caldo de dirigismo e conversa fiada? Acredito que sim. Daqui a dez anos, a constatação do fracasso da Estratégia 2020 produzirá sem dúvida outro infalível plano decenal, a não ser que entretanto a distância da realidade aos delírios de Bruxelas se alargue a ponto de, em 2020, não existir Europa de todo. Só estratégia, que é o que normalmente sobra sempre que as pessoas são desprezadas em favor do gozo de mandar nelas."
Alberto Gonçalves, no “Diário de Notícias” da passada sexta-feira

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terça-feira, 9 de março de 2010

Era para escolher?

Citando a “Lusa”, o “Diário de Notícias” de ontem informa que os prejuízos causados recentemente pelo mau tempo (que ascendem a mil e quinhentos milhões de euros) quase davam para pagar a terceira ponte sobre o Tejo, orçada (segundo a notícia) em mil e setecentos milhões de euros. Muitos argumentos se poderiam esgrimir sobre a utilidade e os custos dessa infra-estrutura, mas não é esta a discussão que nos propõem. O que nos apresentam é algo diferente, com o qual os mais distraídos nem sonhavam: a possibilidade de optarmos por um temporal ou uma ponte nova. Ok, para a próxima já sei o que escolher. E a velhota do 3º esquerdo, com quem me cruzei à hora do almoço, também. Manda dizer que está disposta a trocar a próxima chuvada por dois pares de cuecas novas e uma peúgas mais quentinhas.
Apache, Março de 2010

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segunda-feira, 8 de março de 2010

Um Óscar e uma tesoura s.f.f.

O dia mais machista do calendário (o dia internacional da mulher) ficou marcado pela cerimónia dos Óscares. Uma das surpresas (ou talvez não, afinal este é o terceiro prémio individual em 3 meses (dois de melhor e um de pior)) da longa noite de domingo (madrugada de segunda-feira, em Portugal) foi o Óscar de melhor actriz para Sandra Bullock, a miúda (de 45 anos) que além das típicas taras ambientalistas (muito comuns em Hollywood) e daquele estranho beijo em Meryl Streep, conjuntamente com algum jeito para certos personagens, ainda mantém um intermitente gosto por roupas, como esta, que só apetece rasgar.
Apache, Março de 2009

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sábado, 6 de março de 2010

"O Homem do Leme" - Xutos e Pontapés

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Apache, Março de 2010

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quinta-feira, 4 de março de 2010

‘Lellos’

“Enquanto se confirma que uma empresa pública pagou a Luís Figo para vir a Portugal apoiar o eng. Sócrates por um dia, um pedacinho do País debate o caso de Inês Medeiros, que o público em geral paga para vir a Portugal apoiar o eng. Sócrates todas as semanas. Embora eleita deputada pelo círculo de Lisboa, a sra. Medeiros não está para habitar pocilgas e por isso vive em Paris, cidade a que regressa às sextas-feiras. Como nem em trânsito a sra. Medeiros tolera convívio excessivo com a ralé, as viagens decorrem em classe executiva. Infelizmente, na Assembleia da República alguns não compreendem essas necessidades básicas e, numa demonstração de ressentimento muito portuguesa, há quem proponha que a senhora financie as deslocações do próprio bolso. O PS, naturalmente, discorda, e José Lello sugeriu que retirar os privilégios à sra. Medeiros seria "pôr em causa a livre circulação dos cidadãos europeus". Eu, confesso, ignorava que a ausência de bilhetes em "executiva" à custa do contribuinte desrespeitasse um dos princípios basilares da União. Porém, já que falam nisso, é verdade que até aqui sentia a minha capacidade circulatória um tanto condicionada e não sabia a razão. Agora sei, pelo que aproveito para apelar aos valores de Maastricht e exigir, não na qualidade de cidadão europeu, voos regulares e com tratamento VIP rumo a Florença, Praga, Londres e Edimburgo. A sra. Medeiros apenas deseja a rota Lisboa-Paris. E é da maior importância que os portugueses a ajudem a realizar a sua pretensão por via de manifestações, petições e, se preciso for, donativos directos. Em primeiro lugar, porque não nos devemos arriscar a que a sra. Medeiros nos prive do seu extraordinário desempenho parlamentar, de resto evidente no sorriso irónico com que ela encara cada reunião da Comissão de Ética. Em segundo lugar, porque se o eng. Sócrates for impedido de angariar apoiantes no estrangeiro depressa começará a ter dificuldades em consegui-los cá dentro. Bem sei que, além do sr. Figo e da sra. Medeiros, os comentários da Internet estão repletos de louvores apaixonados do primeiro-ministro. Mas, justamente a julgar pelo grau da paixão, os seus autores também não vivem em Portugal: vivem na Lua ou no aparelho do PS, o que hoje em dia é quase o mesmo.”
Alberto Gonçalves, no “Diário de Notícias” da passada sexta-feira

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segunda-feira, 1 de março de 2010

Obrigadinho, Zé!

Num encontro com professores socialistas, o Primeiro-Ministro, José Sócrates, citado pelo jornal "Público" garantiu que “não há sucesso económico sem melhor educação.Esqueceu-se de definir o que entende por “sucesso económico” e por “educação”, assim, é impossível o contraditório e, falando sem nada se dizer vai-se passando por douto. Tecendo elogios à actual Ministra da Educação, enfatizou “o êxito político notável das negociações que conduziu com os sindicatos do sector para duas reformas essenciais. Subentende-se idêntico elogio aos sindicatos do sector, que conduziram com a ministra negociações para duas reformas essenciais. Essenciais, para eles (sindicatos, ministra e consequentemente Governo) porque os professores foram, uma vez mais, ignorados (para ser politicamente correcto). Em relação à avaliação dos docentes e ao estatuto da carreira disse que as “reformas começaram por ser controversas mas já estão interiorizadas e consensualizadas.” Interiorizadas foram-no, seguramente, como comprovam as (ainda na memória) manifestações de 100 e 120 mil docentes. Quanto ao “consenso” é uma expressão que está muito na moda aplicar, sempre que uma determinada ideia é alvo de forte e fundamentada contestação e não há argumentos válidos para a defender. Obrigadinho pelo reconhecimento, Zé!
Apache, Março de 2010

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