O Último dos Moicanos: As fraudes científicas na moda, vistas do Brasil (4)

quarta-feira, 18 de maio de 2011

As fraudes científicas na moda, vistas do Brasil (4)

M@M: “Já começaram a ser publicados artigos científicos sobre as mensagens de correio electrónico de East Anglia, principalmente os modelos computadorizados que forjaram o "Hockey Stick"?” Daniela de Souza Onça: “Não tenho conhecimento de artigos científicos sobre o assunto, embora haja muito material publicado em blogues e em jornais digitais. O caso é ainda muito recente e, por isso, até este momento, não foi possível fazer uma análise científica de seu conteúdo.” Geraldo Luís Lino: “O gráfico do "taco de hóquei" foi devidamente ‘desmascarado’ como uma fraude colossal, graças ao trabalho brilhante e dedicado de dois leigos curiosos, os canadianos McIntyre e McKitrick. No meu livro, dedico um capítulo ao assunto, que, aliás, merece um livro inteiro para ser devidamente descrito. Quanto aos e-mails, a Internet e a comunicação social, do Hemisfério Norte, têm publicado uma torrente de artigos a respeito deles, dissecando os diversos aspectos do escândalo, inclusive as limitações dos modelos matemáticos quando comparados com os fenómenos do mundo real. Estas falhas são admitidas por alguns dos personagens envolvidos no escândalo, como Kevin Trenberth, que numa das mensagens admite a sua perplexidade pelo facto de as simulações de computador não conseguirem explicar o "sumiço" do aquecimento global após 1998. Infelizmente, até agora, a comunicação social brasileira tem sido extremamente parcimoniosa e selectiva em relação ao assunto, o que é bastante sintomático da adesão à propaganda ambientalista das redacções nacionais." Luiz Carlos Molion: “Ainda antes do Climategate já tinham sido publicados artigos referentes à manipulação de dados em Paleoclimatologia, como o "Hockey Stick", por exemplo. Outro artigo de Briffa ((de 2008), pesquisador do mesmo grupo, da mesma universidade) referente à série de temperaturas extraída de anéis de árvores do Yamal, uma região da Rússia, tinha sido desmascarado por ter sido descoberto que os autores utilizaram uma única árvore, cuidadosamente escolhida para dar ao estudo a conclusão que interessava. Convém lembrar que estas técnicas, usadas em Paleoclimatologia, que utilizam ‘testemunhos’ climáticos, como: anéis de crescimento de árvores; sedimentos de fundo de lagos e de oceanos; corais, etc. são qualitativas e não quantitativas como muitos acreditam. Os testemunhos não produzem ‘temperaturas numéricas’ como um termómetro. Apenas podem sugerir se o clima, em determinado período, esteve mais quente ou mais frio que noutro. E não respondem apenas à variação de uma única grandeza, no caso, a temperatura. Anéis de árvores, por exemplo, respondem também a variações da precipitação, da humidade relativa, da direcção e da intensidade dos ventos, da concentração de dióxido de carbono, e dos nutrientes disponíveis no solo, sendo muito complexa a relação entre todas estas variáveis e a determinação da contribuição de cada uma para o resultado final que, neste caso, é a largura e densidade do anel. ‘Testemunhos’ não são termómetros!” Ricardo Augusto Felício: “Aqui, no Brasil, estamos a começar a estudar as mensagens. Curiosamente aparecem nomes de ‘alarmistas’ brasileiros nos e-mails. São aqueles que querem, a qualquer custo, dizer que somos os maiores emissores de gases com efeito de estufa e outros que pretendem estabelecer um tribunal internacional que puna países e cientistas que são contra a falácia do ‘aquecimento global’ (voltaríamos a uma espécie de Idade Média, com baixa tecnologia pela restrição do uso de energia na indústria, agricultura, etc.). Vemos nos maiores órgãos de comunicação social brasileiros o Carlos Nobre e o Paulo Artaxo, dentre outros, a pregar tecnologias ‘verdes’ e ‘limpas’, a pedir que se criem mais impostos, que se reduzam direitos, e muitas outras coisas que os nossos políticos adoram (e adoptam). O Taco de Hóquei é uma das falcatruas científicas mais bem elaboradas, mas foi desmascarada a tempo. Curiosamente, outro brasileiro, o Jefferson Simões (que trabalha no Projecto Antártida) ainda teima em dizer que foi perseguido pelo governo de Bush. Só percebi a conversa (da treta) quando vi que o próprio Michael Mann, autor do ‘Taco de Hóquei’, que trabalhou com os dados de satélite no III Ano Polar (2007-2009) a declarar que a Antártida está a derreter como nunca se viu. O engraçado disto é que as pessoas pensam que sempre se monitorizou a Antártida eficientemente, o que não é verdade. Mal temos dados, como é que poderíamos justificar que ela está a derreter? Claro que não está! Aliás, nestes últimos anos, o gelo tem avançado e têm-se verificado temperaturas cada vez mais baixas, quebrando recordes que datavam de 1941.”
Apache, Maio de 2011

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