O Último dos Moicanos: As fraudes científicas na moda, vistas do Brasil (9)

sexta-feira, 27 de maio de 2011

As fraudes científicas na moda, vistas do Brasil (9)

M@M: “O receio de ir contra a maré do Aquecimento Global Antropogénico tem feito com que cientistas brasileiros cépticos se contenham nas acções para não perderem financiamentos? A ética científica tem sido abalada por este tema, em particular?” Daniela de Souza Onça: "O mundo da ciência, ao contrário do que o público possa pensar, não é composto por homens cujo único interesse é trabalhar pelo progresso do conhecimento e da humanidade. É um mundo passível de corrupção e contaminado por interesses, tanto como qualquer outro. Os cépticos praticamente não recebem financiamentos nem no Brasil nem no resto mundo, ao contrário dos vultosos investimentos nas pesquisas dos alarmistas, não só climatologistas, mas também as chamadas ‘áreas afins’ e até outras não tão afins como isso. Eles só têm a ganhar, não apenas em relação aos financiamentos, mas também pelo prestígio dentro das universidades. O que farão as gerações de jovens que, enveredando pelo mundo das ‘ciências do ambiente’ nos próximos vinte anos, na ânsia de desbravarem um continente inexplorado e repleto de possibilidades, perceberem que esse novo mundo é apenas um castelo de cartas? A causa do aquecimento global deve prosseguir; mesmo que o mundo arrefeça consideravelmente, mesmo depois de demonstrada publicamente a irrelevância da interferência humana, mesmo depois das medidas de redução das emissões revelarem os lucros exorbitantes de certas empresas e a miséria galopante de milhões de seres humanos; a causa deve prosseguir. Manipulemos os dados, escondamos os reais elementos climáticos e façamos muita propaganda favorável às empresas comprometidas - caso contrário, uma imensa quantidade de ‘pesquisas’ e de recursos nelas investidos ter-se-á revelado em vão. Na climatologia de hoje os cépticos representam a ala da ética científica. Como não recebemos financiamentos e fazemos as pesquisas com dinheiro dos nossos bolsos, estamos no ramo não por interesses pessoais, mas porque acreditamos que a climatologia ainda pode ser salva desta gentinha. Pode parecer utópico, mas eu não penso em desistir.” Geraldo Luís Lino: “Para começar a responder, quero propor que deixemos de vez de utilizar a palavra ‘cépticos’ para qualificar os cientistas que se opõem ao alarmismo climático. Embora nem todos tenham consciência disso, esta é uma das grandes distorções nesta discussão, pois o cepticismo permanente é uma condição fundamental para a actividade científica, na qual não existem verdades acabadas e permanentes. O cientista que não for permanentemente céptico não pode ser considerado um verdadeiro cientista. É verdade que muitos cientistas críticos do ‘alarmismo’ se retraem de vir a público discutir o assunto, para não terem problemas com os patrocinadores das pesquisas. A publicação de artigos em periódicos científicos com ataques pessoais, a depreciação pela comunicação social, são práticas que os ‘alarmistas’ não costumam ter o menor pejo em aplicar, como, aliás, ficou comprovado com os e-mails do ‘Climategate’. Mas, como eu sou um optimista inveterado, creio que, num futuro não muito remoto, esta histeria sobre o aquecimento global será considerada como um exemplo das distorções da actividade científica e da submissão da ciência à ideologia e à política, como aconteceu na URSS das décadas de 1930 a 1960, com o mencionado ’Caso Lysenko’, cujas consequências para a ciência e para a sociedade soviéticas foram trágicas. O aquecimento global antropogénico é uma reedição à escala planetária das fraudes perpetradas por Lysenko e pelos seus pares, politicamente motivados e intimidados. No Brasil, como eu não acompanho de perto a produção científica nesta área, prefiro deixar essa parte da resposta aos outros entrevistados.” Luiz Carlos Molion: “No Brasil, em particular, os defensores mais activos do AGA são a maioria esmagadora, aceitando as teses dogmáticas do IPCC e desta nova ordem global. Por sua vez, o Governo Federal segue o que é imposto pelo grupo de países dominantes, sem questionar, e isso facilita o trabalho dos defensores do AGA. O Ministério da Ciência e Tecnologia, via Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico & Tecnológico (CNPq) e a Financiadora de Estudos e Projectos (FINEP), bem como outros organismos de fomento do desenvolvimento científico, como as Fundações de Amparo à Pesquisa (FAP) estaduais, seguem a filosofia governamental no que toca ao financiamento de pesquisas, de tal modo que os cientistas discordantes do AGA são marginalizados. Muitos, como eu, são criticados, com o objectivo específico de serem desqualificados, desprestigiados e terem sua imagem denegrida perante a opinião pública. Assim, muitos investigadores calam-se. Infelizmente, ética científica é algo que falta à comunidade científica brasileira que se dedica ao estudo do clima.” Ricardo Augusto Felício: “Será que ainda há ética na Ciência? Se os cientistas das academias são pagos pelo que produzem, ou seja, ganham pelo número de pesquisas e trabalhos que publicam, preferencialmente em revistas no exterior, indago se ainda temos um sistema científico eficiente ou apenas uma indústria de currículos? Quanto aos financiamentos, ficou, para mim, claro que pesquisadores que vão contra a ‘filosofia’ do aquecimento são cartas fora do baralho. Os cientistas cépticos de verdade preferem ser éticos e independentes, em vez de se venderem ao programa estabelecido pelas agências de fomento. É evidente que uma agência é parcial, como a FAPESP, quando ela relata nas suas publicações os efeitos das ‘alterações climáticas’ e das emissões de ‘gases com efeito de estufa’, bem como as pesquisas que os ‘comprovam’ e as tecnologias que ‘resolverão o ‘problema’. No meu caso, nem perco tempo a escrever e enviar pedidos de bolsa. Lá não existe Ciência climática, existe sim uma empreitada para legitimar a ‘causa’. Assim, prefiro ser uma carta fora do baralho, em vez de contribuir para construir uma ‘ciência’ baseada num castelo de cartas.” M@M: “Há algum estudo a respeito da alteração do perfil da produção científica brasileira na área do clima devido à avalanche de financiamentos para ‘comprovar’ o AGA?” Daniela de Souza Onça: “No capítulo 1 do quarto relatório do IPCC, afirma-se que a produção científica, em matéria de alterações climáticas, cresceu quase exponencialmente de 1951 a 1997, duplicando a cada 11 anos; e que 95% de toda a literatura sobre alterações climáticas desde 1834 foi publicada após 1951. Parece-me pouco provável que este crescimento não esteja relacionado com os vultosos financiamentos para a pesquisa climática. Sobre o Brasil, não conheço nenhum estudo específico, até porque o Brasil não é um país de grande tradição em ciências da natureza de uma maneira geral, mas provavelmente ocorreu um crescimento notável.” Geraldo Luís Lino: “Pelo mesmo motivo exposto na questão anterior, prefiro deixar a resposta aos demais.” Luiz Carlos Molion: “Não há nenhum estudo que seja de conhecimento público. Mas, torna-se claro, ao analisar as publicações, que a maioria dos artigos científicos, aceites para publicação, directa ou indirectamente, apoiam a hipótese do AGA. A maioria desses estudos traz resultados de modelos computorizados numéricos que, como disse, são inúteis e não se prestam ao planeamento das actividades humanas. Por outro lado, estudos que procuram mostrar a variabilidade natural do clima tendem a ter a sua publicação dificultada ou mesmo rejeitada. Um ponto importante é que o financiamento de projectos na área do clima e em áreas correlacionadas, como agricultura, recursos hídricos ou meio ambiente, tem sido amplo, bastando mencionar, no objectivo do projecto, uma possível relação com o clima futuro, modificado por acção humana.” Ricardo Augusto Felício: “A própria FAPESP ‘orgulha-se’ de demonstrar os seus financiamentos a tais empreitadas desde a ‘destruição da camada de ozono pelos CFC’. Basta pegar no catálogo de publicações e verificar o número de pesquisas e a quantidade de dinheiro público que foi gasto para ‘provar’ mentiras científicas. É importante sublinhar que mesmo que estas pesquisas focassem o estudo em processos naturais, na conclusão, a culpa era sempre da acção antropogénica. Isto é lamentável!”
Apache, Maio de 2011

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