O Último dos Moicanos: Outubro 2006

quinta-feira, 19 de outubro de 2006

Talvez, assim...

Se escutasses no vento as palavras que não te direi... Se bebesses no meu rosto as lágrimas que ainda não chorei... Saberias de mim, aquilo que nem eu sei... Sonharias para mim, os sonhos que em sonhos te dei!...
Escrito para o "Limite de compreensão" da Morgana - Apache, Outubro de 2006

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terça-feira, 17 de outubro de 2006

Auto-entrevista

O Ministério da Educação pagou a divulgação, no passado dia 14, nas páginas centrais de alguns jornais, sob a forma de publicidade, de uma "auto-entrevista" sobre o Estatuto da Carreira Docente que terá custado milhares de euros ao erário público. Este tipo de propaganda é: 1. Ilegítimo, na medida em que se gastam milhares de euros dos contribuintes para propaganda política, enquanto se cortam verbas às escolas e se suprimem direitos, tempo de serviço e expectativas salariais aos docentes, alegadamente por razões de contenção orçamental. Além disso, é inaceitável que o Governo gaste dinheiro em espaços publicitários para divulgar textos que se enquadram, apenas, na mais vil campanha alguma vez movida em Portugal contra os docentes portugueses. 2. Enganoso, porque os alegados esclarecimentos, prestados sob a forma de respostas, estão eivados de demagogia, de mentiras e de omissões graves. É mentira, por exemplo, que os docentes progridam na carreira pelo mero passar do tempo; também não é verdade que a transição da actual carreira para a que é proposta não se traduzisse em perdas salariais que atingiriam as centenas de milhares de euros; omite-se, por exemplo, que um docente, se adoecer dez dias num ano perderá dois anos de carreira. Mas estas são apenas três de entre as muitas fugas à verdade que constam no texto publicitário do Ministério da Educação. No entanto, este anúncio que os contribuintes terão de pagar à Ministra, Maria de Lurdes Rodrigues, acaba por ter a virtude de confirmar que: o ME não olha a meios para atingir os seus objectivos; nas questões essenciais, o ME não se moveu, um mínimo que fosse, desde o início do processo de revisão; o ME continua a tentar impor uma carreira com duas categorias; vagas para acesso aos escalões de topo, que deixariam a esmagadora maioria dos docentes a meio da carreira, independentemente do seu mérito; quotas para a atribuição das classificações mais elevadas, que seriam a negação do próprio regime de avaliação do desempenho; um exame, sem qualquer sentido pedagógico, para ingresso na carreira; menções qualitativas positivas que se traduziriam em perdas de anos de serviço; entre outras propostas manifestamente negativas. Perante esta publicidade, a Plataforma Sindical de Professores manifesta o seu mais veemente repúdio por esta iniciativa de propaganda e exige do Governo que torne públicos os seus custos para que os contribuintes saibam qual o destino que é dado aos seus impostos. Repudiam, ainda, a tentativa de enganar e manipular a opinião pública, pois, ao contrário do que afirma no seu texto, o ME não pretende valorizar o trabalho dos professores, mas, apenas, poupar dinheiro à sua custa. Contra a mentira, contra a difamação, contra a desonestidade negocial, Greve Nacional nos dias 17 e 18 de Outubro.
Assinado pela totalidade das organizações sindicais representativas da classe docente… (FENPROF, FNE, SPLIU, SNPL, SEPLEU, FENEI, ASPL, PRÓ-ORDEM, FEPECI, SIPPEB, SIPE, USPROF, SINPROFE, SNPES)

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domingo, 8 de outubro de 2006

Imaginem...

Foi recentemente divulgado um "estudo" da OCDE intitulado "Education at a Glance 2006" com vários dados estatísticos referentes à educação, nos países que fazem parte da organização. Os dados estão disponíveis em www.ocde.org e referem-se aos anos de 2003 e 2004. Agora começa o vosso exercício de "pura" imaginação... Imaginem que Portugal ocupa o último lugar em nº de anos em que os alunos frequentam a escola... Imaginem também que para a comunicação social, este assunto não é relevante... Imaginem que em Portugal se gastam em média 4 875 Euros por aluno, por ano, o que representa o 23º lugar entre os países analisados... Imaginem que o governo, fortemente preocupado com o estado da educação e os baixos níveis de literacia dos nossos cidadãos pretende (apesar disso) reduzir significativamente os gastos com a educação nos próximos anos, tal como afirmou ontem o primeiro-ministro... Imaginem uma vez mais que para a comunicação social, este assunto também não é relevante... Imaginem que há, no entanto no sector da educação, algo deveras importante para a comunicação social portuguesa, com honras de destaque nos principais jornais... Passo a citar a "Lusa"... "Os professores portugueses são dos que menos recebem no início da profissão, mas integram o grupo dos mais bem pagos quando atingem o topo da carreira segundo um estudo da OCDE." O relatório tem dezenas de páginas que no seu conjunto traçam uma imagem negra da educação em Portugal e o interesse reduz-se a uma mísera tabela. Aqui fica então parte dessa tabela...

Talvez tenham notado alguma diferença entre o que se escreve na imprensa e o que se lê no "estudo" da OCDE?! E porque este é um assunto que “a tantos” apaixona, imaginem ainda que alguém pega numa tabela de vencimentos ilíquidos dos professores do quadro (de 2004, ano a que reportam os dados) e multiplica o valor por 14 (nº de meses de vencimento) convertendo o resultado obtido (em Euros) para US dólares (à taxa de câmbio de 1 Euro = 1,25 dólares). Chega então aos seguintes valores…

“Ligeiramente” diferentes dos apresentados pela OCDE. Para o exercício ficar completo, imaginem agora que nada disto é imaginação, porque factos são factos, por mais que alguns se esforcem por os distorcer!

Apache, Outubro de 2006

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domingo, 1 de outubro de 2006

"Fado Perdição" - Cristina Branco

[O velhinho "fado perdição" que tantos interpretaram, mais que pela música, vale pelo poema e (aqui) por uma das mais belas vozes da nova geração de fadistas.]
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“Este amor não é um rio, tem a vastidão do mar… E a dança verde das ondas soluça no meu olhar. Tentei escrever as palavras nunca ditas entre nós… Mas pairam sobre o silêncio nas margens da nossa voz. Tentei esquecer os teus olhos, porque não sabem ler os meus… Mas neles cresce a alvorada que amanhece a Terra e os Céus. Tentei esquecer o teu nome, arrancá-lo ao pensamento… Mas regressa a cada instante entrelaçado no vento. Tentei ver a minha imagem mas foi a tua que vi no meu espelho… porque trago os olhos rasos de ti. Este amor não é um rio, tem abismos como o mar… E o manto negro das ondas cobre-me de negro o olhar. Este amor não é um rio… Tem a vastidão do mar…” Fado Perdição – Cristina Branco

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