O Último dos Moicanos: Novembro 2006

terça-feira, 28 de novembro de 2006

As “verdades” do desgoverno do Zé…

Alguém devia lembrar os papagaios do costume que uma mentira repetida muitas vezes continua a ser uma mentira. Nos últimos meses tem-se repetido vezes sem conta que Portugal tem funcionários públicos a mais, há mesmo um “estudo” realizado por um cábula qualquer, daqueles a quem faltam competência ao nível do cálculo matemático, que concluiu pela necessidade de redução do número de funcionários públicos em 200 mil. Para que não restem dúvidas, aqui ficam os números do EUROSTAT…

Percentagem de funcionários públicos em comparação com a população activa Suécia – 33,3% Dinamarca – 30,4% Bélgica – 28,8% Reúno Unido – 27,4% Finlândia 26,4% Holanda – 25,9% França – 24,6% Alemanha – 24,0% Hungria – 22,0% Eslováquia – 21,4% Áustria – 20,9% Grécia – 20,6% Irlanda – 20,6% Polónia – 19,8% Itália – 19,2% República Checa – 19,2% Portugal - 17,9%

Actualmente, Portugal é o 3º país da UE com menor número de funcionários públicos. Se o número actual, cerca de 752 mil fosse reduzido em 200 mil, estes passariam a ser 13,1% dos activos. O país da União Europeia com menor percentagem é o Luxemburgo com 16%.

Apache, Novembro de 2006

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quarta-feira, 22 de novembro de 2006

A propósito de conspirações…

“Parece claro que existe um plano conducente à supressão de Portugal do conjunto dos Estados soberanos europeus. Pobres em recursos naturais e confinados a uma linha junto ao mar, com um único vizinho terrestre muito maior, foi ao mar que cedo fomos procurar meios que viabilizassem e assegurassem a nossa sobrevivência. Encerrado esse ciclo de quinhentos anos, tornava-se necessário que a república que nos calhou em "sorte" apontasse ou viabilizasse soluções alternativas. Em lugar de um novo desígnio, meteram-nos na União Europeia, com o inerente cortejo de subsídios, que apenas serviram para exibir algumas ostentações de novo-riquismo saloio. Enquanto outros países investiram na educação, por cá a aposta parece ter sido na total falta dela, com especial incidência no Português e na História, dois importantes factores de identidade, que apresentam hoje danos irreparáveis, pois parece difícil para as novas gerações passarem informação que nunca receberam. Supunha-se ser função do Estado assegurar, com as receitas cobradas, os serviços públicos mínimos que, por menos rentáveis, não são prestados pelas empresas privadas, que permitissem dar a toda a população o direito à saúde, ao ensino, à justiça e à cultura, em todo o território. Com a prevalência de critérios economicistas sobre o interesse do povo, o que vemos é o Estado a encerrar tudo o que não é rentável, contribuindo para agravar inexoravelmente a trágica desertificação de zonas de já difícil fixação, por ausência de vias de comunicação e de actividades geradoras de emprego. Porque as zonas mais sacrificadas ficam próximas da fronteira, eis que os terrenos agrícolas são comprados por espanhóis, com mais apoios do seu país e as mães da raia são forçadas a ter os seus filhos no país vizinho. Com impostos insuportavelmente mais elevados e salários muito inferiores, até o consumo de combustível, porque mais barato, contribui para o PIB do país vizinho. As nossas obras públicas, como o TGV, estão na sua grande maioria, condicionadas pelos interesses espanhóis. Enquanto isso, grandes empresas e bancos vão passando, através da bolsa e sem ruído para as suas mãos, boa parte do capital das (poucas) competitivas empresas nacionais, bem como os nossos melhores quadros técnicos, parte deles a trabalharem para grandes empresas espanholas. As nossas indústrias, sem adequada e prévia preparação, vão soçobrando à competição asiática originada pela globalização, da qual não temos dimensão nem recursos para tirarmos partido. Na cultura, os escritores portugueses recebem prémios Cervantes ou Príncipe das Astúrias, aprende-se castelhano no Instituto Cervantes, lê-se na "Hola" todo o social dos vizinhos, enquanto eles promovem visitas da sua Família Real às suas e nossas antigas possessões ultramarinas, instalam os seus institutos culturais e as suas empresas, enfim, fazem pela vida… A dúvida é se os senhores guardiães da república são apenas ceguinhos, estão distraídos ou são cúmplices. Venha o diabo e escolha!”
Extraído de um texto intitulado “Cegueira ou cumplicidade” escrito por Dom Vasco Teles da Gama para o “Diário Digital”

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terça-feira, 14 de novembro de 2006

"Externalização"

“Alguém sabe o que significa a palavra externalização? Trata-se de uma palavra que não vem em nenhum dicionário, mas que se pode encontrar no Diário da República…”
A pergunta foi colocada na Sic Notícias, no passado dia 9/11/2006, pelo jornalista Mário Crespo e, ao que parece continua sem resposta. Entretanto o Google apresenta 47 400 páginas com a palavra. Seria interessante saber quem ganha com tão rápida propagação do disparate.
Cheira-me a nova versão da Terminologia Linguistica para os Ensinos Básico e Secundário (TLEBS), ou pivete similar!
Apache, Novembro de 2006

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sexta-feira, 10 de novembro de 2006

Ai a matemática, a matemática…

Cumpriu-se hoje o primeiro de dois dias de greve da Função Pública. É habitual, os números da adesão à greve, apresentados pelos sindicatos e pelo governo serem divergentes, mas hoje, de tão extremada, essa divergência tornou-se hilariante. Os sindicatos falam de uma adesão da ordem dos 80%, enquanto o governo contrapõe uns míseros 11,74%. Apetece-me pedir aos nossos governantes que sejam um pouquinho exagerados e admitam que a adesão foi de cerca de 12%. É que assim têm ambos razão. Sim, sim, ambos têm razão em relação aos números, 12 = 80. Para os mais cépticos aqui vai a demonstração matemática…
(Talvez seja melhor irem buscar uma calculadora, antes de continuarem a ler…)
-960 = -960. Certo? E -960 = 144-1104. Mas também é verdade que -960 = 6400-7360. Concordam?
Ora em matemática, duas quantidades iguais a uma terceira são iguais entre si, portanto: 144 - 1104 = 6400 - 7360 Decompondo estes números em factores, ficamos com: 12*12 – 2*12*46 = 80*80 – 2*80*46 (* é o sinal de multiplicação) Ainda estão a acompanhar?! A cada lado da equação vamos agora somar 2116. Porquê? Porque me apetece! Temos então: 12*12 – 2*12*46 + 2116 = 80*80 – 2*80*46 + 2116 Agora reparem que 2116 = 46*46 Então podemos escrever: 12*12 – 2*12*46 + 46*46 = 80*80 -2*80*46 + 46*46 Em cada lado da equação temos agora o quadrado de uma diferença. Lembram-se? (a-b)^2 = a^2 – 2*a*b + b^2 (^2 significa ao quadrado) Então: (12 - 46)^2 = (80 - 46)^2 Eliminando os quadrados em ambos os lados da equação, ficamos com… 12 - 46 = 80 - 46 E passando o 46 para o lado esquerdo, obtemos: 12 – 46 + 46 = 80, ou seja: 12 = 80 Será que acabo de ganhar um cargo no governo ou no sindicato? Humm... Acho que “eles” não lêem este blog!... P.S. Com um raciocínio semelhante (ligeiramente falacioso) acho que consigo demonstrar que quaisquer números inteiros são iguais. Eh, eh... Agora vou tomar as gotas!
Apache, Novembro de 2006

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segunda-feira, 6 de novembro de 2006

Fim do 1º Episódio...

O ex-ditador iraquiano Saddam Hussein e dois dos seus colaboradores mais próximos, o ex-presidente do Tribunal Revolucionário Iraquiano, Awad Ahmed al Bandar, e o meio-irmão de Saddam, Burzan Ibrahim, ex-chefe dos Serviços Secretos, foram condenados à morte por enforcamento, por crimes de guerra, neste domingo, pelo Circo a que dão o nome de Tribunal Superior Penal do Iraque. Na página de abertura do Portal “Sapo” foi colocada a votação, a pergunta “Concorda com a aplicação da Pena de Morte”, não neste caso particular, mas em termos genéricos, pelo menos foi assim que a entendi. Pasmem-se os resultados… Dos quase 17 mil votos registados, 49% afirmou “Sim”! Eu sei que neste tipo de sondagens, alguém sem mais nada para fazer pode efectuar múltiplas votações, por isso estes resultados têm um valor relativo, ainda assim, apetece-me, mais uma vez, citar Albert Einstein: “Só conheço duas coisas infinitas, o Universo e a estupidez humana e, quanto à primeira, não tenho a certeza!”
Apache, Novembro de 2006

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Finalmente de acordo...

Na conferência de imprensa, no final da XVI Cimeira Ibero Americana, o Sr. José Sousa afirmou que “em matéria de visão humanista e respeito pelo Direitos Humanos, não encontro melhor exemplo do que os Estados Unidos.” Finalmente encontro um assunto em que eu e o Sr. Sousa estamos de acordo, basta pensarmos em Guantánamo ou Abu Ghraib e de facto não restam dúvidas: em matéria de direitos humanos os Estados Unidos são um exemplo a não seguir, claro!

Apache, Novembro de 2006

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quarta-feira, 1 de novembro de 2006

O Choque... (tecnológico)

Há alguns dias atrás, o Correio da Manhã noticiava que no Orçamento do Estado para 2006 está prevista uma verba de 219 090 Euros para despesas de telemóvel do gabinete do Sr. Primeiro Ministro.
Tentando justificar o injustificável, um responsável governamental que o jornal não identifica terá argumentado o seguinte… “O telemóvel é um instrumento de trabalho fundamental para o primeiro-ministro, ele está sempre em contacto com o seu gabinete e com os próprios ministros. Logo que há alguma coisa, liga directamente para os ministros, durante a semana ou ao fim-de-semana.” Muito bem, proponho então, agora, que façamos um pequeno exercício, recorrendo a uma vulgar calculadora. Ora, o Sr. José Sousa está sempre em contacto com os membros do seu governo. Sempre, excepto quando está a dormir ou com a boca cheia (de comida, claro!). Portanto, admitindo que o Sr. Sousa dorme 8 horas por dia e precisa de uma hora para se alimentar, restam-lhe 15 horas, que multiplicadas por 60 minutos e por 365 dias do ano (que o Sr. José é dedicado e nas férias também trabalha), dá 350 400 minutos. Partindo do pressuposto que o Sr. PM tem um tarifário banal nos telemóveis do seu gabinete, (porque os há mais baratos) tipo, Pack PME da Vodafone, a 0,14 cêntimos por minuto para todas as redes, então o Sr. José Silva gasta num ano, 45 990 Euros. Resta então para os restantes membros do seu gabinete a verba de 219 090 – 45 990 = 173 100 Euros. Acontece que os funcionários públicos do gabinete do Sr. Primeiro Ministro trabalham no máximo 224 dias por ano, descontados os fins-de-semana, os feriados e os dias de férias, o que multiplicado por 7 horas de trabalho diário, com 60 minutos cada, dá 94 080 minutos de trabalho por ano. Os 173 100 euros disponíveis para telemóvel a 0,14 cêntimos por minuto, permitem falar 1 236 428 minutos e 34 segundos, como cada funcionário trabalha 94 080 minutos por ano, esta verba corresponde a 13 funcionários. (E ainda ficamos com 1 874,40 Euros para umas chamaditas de valor acrescentado… para ligar para aquela prima afastada que é Checa.)
Resumindo, o Sr. (continuemos a chamar-lhe, apesar de outros nomes nos povoarem o espírito) José Sousa quer convencer-nos que além de falar ao telemóvel durante 15 horas por dia, 365 dias por ano, no seu gabinete existem permanentemente 13 funcionários cuja única tarefa atribuída é falarem ao telemóvel, ininterruptamente, desde o primeiro ao último minuto do dia de trabalho, todos os dias do ano…
P.S. Alguém me sabe dizer qual é a verba prevista no Orçamento do Estado para 2006, para o gabinete do Sr. Primeiro Ministro, para pastilhas contra a rouquidão?
Apache, Novembro de 2006

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