O Último dos Moicanos: Junho 2008

segunda-feira, 30 de junho de 2008

A cor do cabelo é falsa, mas…

De acordo com o relato de um docente, exarado em acta, na última reunião com os Presidentes dos Conselhos Executivos das escolas da região, Margarida Moreira a Directora Regional de Educação do Norte pediu aos presidentes dos órgãos de gestão para terem especial atenção aos professores que nomeiam para correctores dos Exames Nacionais, dizendo que “talvez fosse útil excluir de correctores aqueles professores que têm repetidamente classificações distantes da média” acrescentando que “os alunos têm direito a ter sucesso.” Ou seja, à senhora não lhe basta que o Ministério a que pertence tenha elaborado, nas disciplinas tradicionalmente de maior insucesso, os exames mais fáceis de sempre, pretende ainda afastar de correctores os professores de quem se suspeite de rigor nas correcções. Além do facilitismo risível que quer instituir, torna-se evidente das suas palavras que a cachopa não faz a mínima ideia do que significa a expressão “ter direito a…” A cor do cabelo é falsa mas infere-se que Margarida Moreira é loura até à última célula.
Apache, Junho de 2008

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sábado, 28 de junho de 2008

"Acuso a Ministra da Educação e o director do GAVE" - Santana Castilho

"O director do GAVE teve o topete de sugerir que quem tem criticado os exames não tem competência para se pronunciar sobre avaliação educacional. Do alto da sua arrogância, ocupado que está todo o ano a produzir provas medíocres, não teve certamente tempo para comparar o seu percurso com o daqueles a que se refere. (…) Em linha com o anterior [o director do GAVE], a Ministra da Educação veio tentar convencer o país de que 90% de alunos com positiva a Português e 82% com positiva a Matemática mostram uma enorme recuperação, fruto das políticas seguidas pelo Governo. A esta Santinha da Ladeira II é preciso lembrar a trapalhada e a iniquidade por que foi politicamente (ir)responsável em 2006, no que toca às provas de Física e Química do 12º ano. Porque também ela, depois dos acórdãos do Supremo Tribunal Administrativo e do Tribunal Constitucional, já que não teve a dignidade de se demitir, deveria ao menos ser contida e humilde. (…) Tudo visto, o que temos [refere-se às políticas do Ministério]? O natural cumular de uma política de primeira hora: poupar em nome do santo défice, vergar os que pensam e fabricar resultados. Esta gente sempre confundiu sucesso escolar com índices de aprovação. Por isso fomentaram provas ridiculamente elementares. Por isso lhes juntaram formulários com as fórmulas para resolver os problemas. Por isso deram instruções para não penalizar os erros de ortografia. Por isso conceberam directivas e critérios de correcção que promovem a indigência. Acuso-os de fabricarem um falso sucesso escolar. Acuso-os de tudo fazerem para que os alunos que não aprendem aprovem. Acuso-os de nada fazerem para evitar que as incompetências se acumulem e alguma vez sejam recuperadas. (…)"
Santana Castilho – Professor do Ensino Superior

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sexta-feira, 27 de junho de 2008

Relação entre dióxido de carbono atmosférico e aumento de temperatura

Os adeptos da teoria da antropogenia do alegado aquecimento global insistem amiúde que o aumento de dióxido de carbono na atmosfera causa uma elevação de temperatura. Já afirmei neste blogue que está cientificamente provado o contrário, isto é, um aumento da temperatura da água dos oceanos evapora algum do dióxido de carbono que estes têm dissolvido, aumentando a sua concentração no ar (nas zonas costeiras).
Dos milhares (para não dizer milhões) de locais possíveis para medir a concentração de dióxido de carbono na atmosfera, o único local onde esta medida é (oficialmente) aceite pelo IPCC é Mauna Loa, no Havai, em cima do maior vulcão activo do planeta. Como os vulcões emitem enormes quantidades de dióxido de carbono, os valores ali medidos não representam com a mínima credibilidade o que se passa na atmosfera de outros locais. Ainda assim, para se perceber o ridículo desta teoria, deixo dois gráficos (tão do agrado dos alarmistas) referentes ao mesmo período de tempo (1979-2008), o primeiro (já antes publicado) referente à variação das temperaturas na baixa troposfera, medido pelo satélite MSU da Universidade do Alabama, o segundo, referente à concentração de dióxido de carbono (em partes por milhão (em volume)), medido em Mauna Loa pela NOAA

Como se comprova pelas figuras, as “linhas” que elas apresentam são praticamente iguais, depois de ingerida suficiente quantidade de álcool…

Apache, Junho de 2008

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quarta-feira, 25 de junho de 2008

"Eduquês", "Sociologuês" ou incapacidade cognitiva? (3)

Chegámos a um ponto de situação tal, em relação à qualidade dos exames nacionais, que penso ser necessário exigirmos que os enunciados contenham os nomes dos autores. É que ao colocarmos os nossos filhos na escola, temos expectativas de que lhes seja ensinado algo que os possa preparar minimamente para o futuro. Está assim implícito um contrato entre a escola e os encarregados de educação de prestação de serviço educativo por parte desta. Sendo notório que o Ministério da Educação, através do Gabinete de Avaliação Educacional (GAVE) (e não só) se demite cada vez mais dessa função, é importante sabermos a quem vamos acusar de burla. Ilustrando esta afirmação, atente-se no enunciado da já famosa questão 3 do Exame Nacional do 9º ano, da disciplina de Matemática… “Numa sala de cinema, a primeira fila tem 23 cadeiras. A segunda fila tem menos 3 cadeiras do que a primeira fila. A terceira fila tem menos 3 cadeiras do que a segunda e assim, sucessivamente, até à última fila, que tem 8 cadeiras. Quantas filas de cadeiras tem a sala de cinema? Explica como chegaste à resposta.” Há 30 anos atrás um aluno da primeira classe resolveria facilmente uma questão destas.
Mas o que ridiculariza ainda mais esta questão é que, mesmo que o aluno não apresente a resposta correcta (6 filas, contendo, respectivamente 23, 20, 17, 14, 11 e 8 cadeiras) poderá, ainda assim, obter 60% da cotação da pergunta (de acordo com os critérios de correcção) se escrever “alguns números possíveis de cadeiras para as filas”; por sua vez, se responder 5 filas (em vez das 6) tem direito a 80% da cotação.
Comentando os exames deste ano, a dona Lurdes disse que “o nível de complexidade de uma prova tem técnicas, não é uma questão de opinião, é uma questão de validação técnica, com recurso a técnicas estatísticas…” Portanto se acham que a senhora pensa que somos todos estúpidos, lembrem-se que podem não haver técnicas estatísticas que o demonstrem. Se, pelo contrário, estão a pensar chamar nomes feios à senhora, saibam que a utilização do termo “senhora” é, neste contexto, uma questão meramente técnica.
Apache, Junho de 2008

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terça-feira, 24 de junho de 2008

"Eduquês", "Sociologuês" ou incapacidade cognitiva? (2)

"Confirma-se a tendência já patente no exame nacional do 9ºano da semana passada, em propor exercícios que correspondem aos primeiros exemplos usados para introduzir as noções. Por outro lado, no que diz respeito ao capítulo da trigonometria, apenas aparece numa questão um limite notável elementar, envolvendo a função seno, o que fica muito aquém do indicado e exigido no programa do décimo segundo ano. A questão 3 do Grupo II, poderia ser abordada numa aula do nono ano e resolvida por considerações de simples bom senso. A questão 5 do Grupo II pouco ou nada avalia em termos matemáticos. Testa apenas a destreza no uso da calculadora. O grau de dificuldade deste exame é inferior ao do ano passado. O padrão utilizado pelo G.A.V.E. para avaliar o desempenho dos alunos não permite distinguir aqueles que efectivamente trabalham dos que pouco trabalham, e não ajuda os professores a incentivarem os alunos a aprofundar os seus conhecimentos."
Comentário da Sociedade Portuguesa de Matemática ao exame nacional (1ª fase) do 12º ano.

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segunda-feira, 23 de junho de 2008

"Eduquês", "Sociologuês" ou incapacidade cognitiva?

«Encontrámos [no grupo II] dois termos da Terminologia Linguística do Ensino Básico e Secundário [“frase subordinada relativa” e “verbo auxiliar modal”], que como se sabe não está em vigor. (…) O ponto de partida para uma reflexão que é proposta aos alunos é um texto do Padre António Vieira, que não faz parte do programa do 12.º ano. (…) Há uma pergunta sobre “Os Lusíadas” [a 2 do grupo I] cuja formulação não é clara.»
Comentário da Associação de Professores de Português, ao exame nacional (1ª fase) do 12º ano.
"Na generalidade, a prova é mais acessível e mais fácil do que nos anos anteriores. Algumas questões poderiam ser resolvidas por alunos do 2º ciclo."
Comentário da Associação de Professores de Matemática, ao exame nacional (1ª fase) do 9º ano.
“O nível geral da prova é demasiadamente elementar. (…) Aos alunos no ano terminal do Ensino Básico, ou seja, no final da escolaridade obrigatória, deveria exigir-se outro tipo de dificuldade. (…) A questão 1 resolve-se contando pelos dedos. A 3 é facilmente resolvida por alunos do 1º Ciclo. A 6, que envolve percentagens é tão simples que um aluno do 2º Ciclo deveria ser capaz de resolver. (…) As matérias específicas do 9º ano constituem apenas 22 dos 100 pontos. (…) Em todos os casos os conceitos avaliados são simples e testados com exemplos demasiado elementares.”
Comentário da Sociedade Portuguesa de Matemática ao exame nacional (1ª fase) do 9º ano.
“Todas as perguntas se ficam por questões extremamente elementares. Persiste-se no fornecimento de um formulário de eficácia muito duvidosa, sobretudo porque pode levar o aluno a classificar de fórmula algo que é um conceito. Persiste-se também em questões que pouco ou nada exigem de conhecimentos prévios em Química. Exigem apenas que o aluno saiba ler (nem precisa sequer de ter grandes competências a nível da interpretação) um texto (caso da questão 1.2), ou os eixos de um gráfico (caso da questão 2.2.1).”
Comentário da Sociedade Portuguesa de Química ao exame nacional (1ª fase) de Física e Química A do 11º ano.

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sexta-feira, 20 de junho de 2008

“A derrota do federalismo político europeu”

Noutros acampamentos…
«Os irlandeses votaram (…) contra a ratificação do Tratado de Lisboa.
Alguns dos motivos para a vitória do "Não" na Irlanda: O receio da revogação europeia da proibição do aborto e da eutanásia na Irlanda (apesar dos defensores do Sim terem lembrado que o Tratado de Lisboa não põe em causa o Protocolo 17 do Tratado de Maastricht relativo ao artigo 40.3.3 da Constituição Irlandesa sobre a proibição do aborto (mas não o repete...) e da conferência de bispos irlandeses terem emitido, em 29-5-2008, uma Reflexão Pastoral "Fostering a Community of Values" que, de certo modo, apoia o Tratado, os defensores do Não reprovaram a falta de clareza do mesmo nessa questão e temiam os avanços federais das instituições e principalmente da jurisprudência do TJCE sobre esta matéria); O receio da perda de soberania fiscal (eliminando a vantagem económica dos baixos impostos sobre as empresas); A desconfiança de uma política externa supranacional (e receio da perda de neutralidade); A oposição ao Estado Social socialista - e, para outros, a oposição ao neoliberalismo laboral. Na Europa, os líderes da política furtiva afligem-se com o resultado. E maldizem os 109 964 eleitores irlandeses que votaram "Não", em vez de ficarem em casa, ou uma metade-mais-um deles que se enganou no voto que deveria ser "Sim". José Sócrates, que tinha prometido referendar o tratado e não cumpriu, vê agora dissipado parte do ganho "fundamental" que previa nele para a sua "carreira". Não foi, portanto, a abstenção que fez perder na Irlanda o "Sim ao Tratado de Lisboa". Foi o voto do povo. E o voto do povo, mesmo para os democratas representativos que desprezam o eleitor durante os seus mandatos, é incontornável. Não poderá, portanto, fazer-se um segundo referendo daqui a meses: tem de fazer-se um novo Tratado, consentindo aos Estados - e não só à Irlanda... - a possibilidade de não aplicar determinadas decisões políticas ou, mesmo, determinadas políticas. Percebe-se bem que o voto "Não" seria repetido noutros países, se fosse consentido ao povo o direito de o sufragar, como diz o Ruy Caldas do "Classe Política". Essa impressão é que constitui o maior revés da votação irlandesa.(…)Creio que o voto contra irlandês manifesta a censura popular perante uma constituição programática europeia, mal disfarçada da versão anterior, e o projecto de federalismo europeu imperial. Aprendemos - aprenderam todos os que estudaram Ciência Política e Direito Constitucional! - que uma constituição não deve defender um programa político, uma ideologia, porque como lei fundamental que é tem de ser consensual, para que possa ser aceite, integrada, promovida e jurada por todos.Esta constituição/tratado, que pretende entronizar o deus Atheos das elites e omitir a herança e convicção popular, baseia-se no totalitarismo do politicamente correcto que exclui a liberdade nacional de outras formas de pensamento e decisão. Porque se imiscui no terreno ideológico, no plano da economia e dos costumes, agrada a uns e desagrada a outros. Para reduzir a oposição, torna-se uma mistura que passa a desagradar a quase todos. Assim, passa a ser atacada no plano económico por ser demasiado socialista (na regulação) ou demasiado neoliberal (no trabalho); e no plano dos costumes, por ser demasiado ateia ou demasiado liberal. E, acima de tudo, a preponderância das grandes potências sobre os demais povos. (…)»
António Balbino Caldeira no blogue “Do Portugal Profundo” [Link na coluna do lado]
Um texto que vale a pena ler na íntegra!
Apache, Junho de 2008

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quarta-feira, 18 de junho de 2008

Futebolisticamente incorrecto

Considerando que: Não tenho conta no BES e irritam-me solenemente os seus anúncios publicitários que parecem ter sido escritos por alguém tão inteligente como a Senhora Ministra da Educação; Não abasteço na GALP. Desagrada-me a ideia de um vendedor de combustíveis colocar os clientes a empurrar autocarros; Não sou propriamente um cliente… Modelo; Nunca assisti a nenhuma missa patrocinada pela Caixa Geral de Depósitos; Apesar de gostar de desporto não costumo praticar boxe com sérvios; O Petit é um excelente distribuidor de fruta, a quem falta apenas uma banca no Mercado da Ribeira, o Raul Meireles e o Jorge Ribeiro talvez consigam “ponta” na selecção de Pinheiro da Cruz e o Nuno Gomes tem futuro garantido no McDonald´s. Mas acima de tudo, considerando que sou português e gosto de futebol, porque raio haveria eu de apoiar esta selecção?
Apache, Junho de 2008

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sexta-feira, 13 de junho de 2008

Valter Lemos e a "stand up comedy"

No passado dia 7 (de Junho) realizou-se em Lisboa um encontro internacional sobre educação especial, que reuniu cerca de 1700 especialistas, a maioria dos quais, professores do ensino especial. Logo no início da sua intervenção, o Secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, do alto da sua vaga prosápia sai-se com esta frase – “Em 2013 teremos em Portugal uma verdadeira escola inclusiva”. A plateia reage com uma gargalhada geral. À saída do encontro, instado pelos jornalistas a comentar o episódio, Valter Lemos não deixa os seus dotes por garganta alheia e dispara mais bazófia – “É a incredulidade normal de um país que se habituou a não ser consistente nas opções e a não perseguir de forma consistente os objectivos.” Acrescentando ainda: - “A incredulidade não é preocupante desde que os professores trabalhem.” Que pena estes comentários já não terem sido ouvidos pelos participantes no encontro. Perdeu-se assim mais uma boa gargalhada. Quando o governo de Sócrates cair de maduro, Valter Lemos tem futuro garantido… na stand-up comedy!
Apache, Junho de 2008

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terça-feira, 10 de junho de 2008

O “Aquecimento Global” continua de férias

[Cliquem na imagem para ampliar]
O gráfico da figura acima foi construído com os dados fornecidos pelo satélite da Universidade do Alabama e mostra que à semelhança do que aconteceu em Portugal, o passado mês de Maio foi, na generalidade do planeta, bastante frio. O gráfico apresenta a variação de temperatura da baixa troposfera em relação à média dos últimos 29 anos (representada pelo zero da escala). O último mês foi o mais frio desde Abril de 1997 e o Maio mais frio desde 1992. A temperatura do planeta apresenta-se quase 0,2 ºC abaixo da média. Está na altura de deixar uma pergunta inconveniente aos inventores da antropogenia do aquecimento global – Não acham que antes de continuar a discussão sobre a culpabilidade das nossas emissões de dióxido de carbono no aquecimento do planeta é melhor arranjarem primeiro uma forma de o planeta aquecer? É que ao preço a que está o petróleo, o pobre vai congelar no próximo Inverno.
Apache, Junho de 2008

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segunda-feira, 9 de junho de 2008

Fotografias famosas, manipuladas - Turista no World Trade Center

Vários avanços tecnológicos conseguidos nos últimos 150 anos mudaram radicalmente o nosso mundo. Um deles, foi a invenção da máquina fotográfica. Não é em vão que passados tantos anos do surgimento das primeiras imagens, inicialmente estáticas e depois animadas, ainda hoje usamos a máxima – “uma imagem vale mais que mil palavras”. A popularidade das imagens foi tão evidente desde o seu aparecimento que cedo se percebeu da importância da sua manipulação. No início esta estava reservada a especialistas, mas hoje em dia com o fácil acesso a software próprio para o efeito, qualquer entusiasta da imagem consegue melhores ou piores manipulações. No entanto, as mais famosas imagens manipuladas são quase obras de arte, possíveis de obter, apenas por alguns. Começo este tema com uma imagem que circula por mail, que alegadamente teria sido encontrada numa câmara achada nos destroços do World Trade Center. A imagem tornou-se famosa por ganhar o concurso “Best 9/11 Photoshopped Picture”.

É evidente a inclusão do avião numa imagem de um dos muitos turistas que diariamente visitavam o terraço da Torre Sul do complexo. Mas para quem não reparou na manipulação, deixo três evidências. 1- O primeiro ataque deu-se na Torre Norte, portanto, tendo a foto sido obtida no terraço da Torre Sul deveria ser visível o fumo oriundo da outra torre. 2- Um avião (ou qualquer outro objecto) a deslocar-se a uma velocidade de mais de 800 km/h não é captado de forma tão nítida por uma câmara fotográfica vulgar. 3- Era impossível uma pose tão tranquila por parte do visitante, com o ruído ensurdecedor do avião (o som é mais rápido que um “Boeing”) sendo também impossível uma foto não tremida, com a vibração do prédio, provocada pelo arrasto aerodinâmico do “jacto” já tão próximo do edifício.

Apache, Junho de 2008

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sexta-feira, 6 de junho de 2008

Obama, "O Profeta"

“I am absolutely certain that generations from now, we will be able to look back and tell our children that this was the moment when we began to provide care for the sick and good jobs to the jobless; this was the moment when the rise of the oceans began to slow and our planet began to heal.”
Barack Obama - Saint Paul (Minnesota), após a sua vitória nas eleições primárias do Partido Democrata.
Não me espanta que alguém consiga dizer isto em público sem se rir. Não me surpreende que uma comunicação social sem escrúpulos tenha reproduzido as palavras do dito cujo como se elas fossem providas de conteúdo. Não me admira que essa enorme massa de gente anónima, analfabeta e nanocéfala, que orbita em torno deste circo eleitoral americano o tenha aplaudido histericamente. O que (ainda) me choca é que ele não tenha sido imediatamente internado para uma cura de desintoxicação.
Apache, Junho de 2008

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quinta-feira, 5 de junho de 2008

Para ler e pensar…

“A observação de relações causa-efeito fornece a primeira estrutura explicativa deste universo. Se largarmos a pedra da mão, ela cai. Mas em relação a muitos fenómenos não descortinamos a causa do efeito observado; então, a humanidade descobriu algo importante: o Período! O dia segue-se à noite, as cheias dos rios repetem-se anualmente, as posições dos astros nos céus repetem-se com períodos diferentes para os diferentes astros errantes. Todo o Universo parecia determinado por períodos. Conhecer o Universo seria então uma questão de determinar os seus períodos. Que se mediam com o grande relógio da antiguidade, o único relógio de grandes períodos, a posição dos astros no céu. A Astrologia não nasce na crença de que os astros determinam as características dos humanos e os acontecimentos das suas vidas, mas na crença de que ambos obedecem a períodos, medidos pelas posições relativas dos astros. Mas começou-se a verificar que conhecer os períodos não é suficiente. Eis que a Matemática surge com um novo recurso: a Equação! Estabelecer a equação que satisfaz os dados das observações permitiria determinar as novas ocorrências. Nascem então os modelos matemáticos. A relação causa-efeito passa a um papel secundário. O paradigma dos modelos matemáticos é o modelo de Ptolomeu – um modelo matemático dos dados das observações. Este era um modelo poderoso. A precisão dos seus resultados suplantava o modelo de Copérnico. Não era evidentemente um modelo «lógico», não estava construído sobre relações causa-efeito, isso nada interessa aos matemáticos, cuja "alta capacidade de abstracção os liberta dessa necessidade própria das mentes simples". Só têm uma limitação os modelos matemáticos. O modelo de Ptolomeu durou 15 séculos mas, se dependesse apenas dos matemáticos, poderia durar 150 séculos. Porque um modelo matemático é um mero exercício de ajustar equações a dados tal e qual eles são obtidos pela observação. Como não se preocupa com relações causa-efeito, não pode dar o salto que vai do modelo de Ptolomeu para o de Copérnico. Poderemos pensar que não tem de ser assim, se a Matemática se preocupasse em encontrar o modelo com o número mínimo de parâmetros, já poderia dar esse salto. Mas que metodologia pode guiar o matemático nessa procura? Os modelos matemáticos são úteis, como o de Ptolomeu o foi; permitem alcançar resultados para além do que as relações causa-efeito que conhecemos num dado momento permitem; mas temos de perceber a sua grande limitação e estar conscientes de que apenas modelos fenomenológicos, ou seja, completamente determinado por relações causa-efeito, nos permitem previsões com segurança elevada. O problema é que é muito mais difícil estabelecer um modelo fenomenológico, como o de Newton, do que um modelo matemático, como o Ptolomeu. Embora o modelo fenomenológico seja muito mais simples – na realidade, este é um modelo “que até pode ser explicado às crianças”, pois estas podem compreender as relações causa-efeito. Mas a linha de investigação que pode levar a eles é que não deve ser abandonada, como tem sido, devido à crença cega nas capacidades dos modelos matemáticos. O facilitismo de recorrer aos modelos matemáticos tem vindo a alastrar a todos os ramos do conhecimento. Por exemplo, uma Economia baseada em modelos matemáticos poderá ser óptima para descrever o passado, mas inútil para prever o futuro. E para orientar a decisão. Tem, por isso, razão o Papa quando fala das limitações da Ciência. Porque a Ciência cada vez se reduz mais à matemática e há instrumentos mais poderosos de obter Conhecimento. O Big Bang é um modelo matemático. Desenhado para se ajustar às observações. Mas, hélas, tal como no modelo de Ptolomeu, estas dependem do observador! E dar esse salto é impossível para um modelo matemático. O Big Bang também durará 15 séculos?
“Alf” – Autor dos blogues de Ciência: “Outra Margem” e “Outra Física” [com links na coluna do lado]

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