O Último dos Moicanos

Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Há cada maluco...

Na reunião do G8 (grupo dos 8 países mais industrializados do mundo) que decorre na cidade italiana de L’ Aquila (agora tristemente famosa pelo recente sismo de média intensidade que fez um elevado número de vítimas) os líderes das maiores economias mundiais concordaram na necessidade de manter o “aquecimento global médio” em menos de 2 ºC face às temperaturas pré-industriais.
Se ignorarmos o estado de demência de quem pretende um acordo deste tipo, isto até tem a sua graça. Senão vejamos:
A era pré-industrial é qualquer data que der jeito a cada um. Alguém acredita que o Burkina-Faso já começou a sua era industrial? E o Kiribati? Por sua vez, para os europeus, é qualquer data antes de 1850, que tanto pode ser 1500 como 3000 antes de Cristo;
A temperatura média global, de hoje, ninguém sabe qual é, depende de quantos e quais os termómetros, de que locais, vão ser usados para calcular a média;
Certamente, no Burkina-Faso muito poucos sabem o que é um termómetro, e em 1850 também muito poucos europeus sabiam o que era;
Temperatura é uma grandeza física que a maioria dos políticos também não sabe o que é. E em 3000 A.C. ainda ninguém se tinha dado ao trabalho de inventar a palavra.
Imagine-se agora que, daqui a dois anos, ou dez, é irrelevante, aparece um gajo ainda mais lunático que estes do G8, que a NASA, o IPCC ou outro caça-subsídios qualquer, vão recrutar a uma qualquer associação de alcoólicos anónimos (assim, do estilo Pachauri, o bruxo que actualmente preside ao IPCC), vem dizer que a temperatura do planeta subiu 2,07 ºC nos últimos anos (inventam-se sempre números com várias casas decimais para dar uma ideia de rigor à coisa). O que fazem os líderes do G8? Subsidiam a indústria dos frigoríficos? Ou arranjam um biombo para encobrir o Sol?
Apache, Julho de 2009

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Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

“A caixa negra do PS e a Educação”

“O episódio Manuel Pinho tornou degradante o debate sobre o estado da nação. A grosseria a que o país assistiu em directo espelha a cultura que nos tem governado nos últimos quatro anos, afastada do povo e sem respeito pelo órgão que o representa.
Não me interesso por futebol. Mas as recentes eleições do Benfica entraram-me em casa e demonstraram-me que o Estado está em licença sabática. Um tribunal tomou uma decisão sobre o acto. Logo os visados anunciaram que não a cumpririam. E não cumpriram, não se coibindo de a comentar na televisão, em linguagem ordinária. E nada aconteceu, para além de celebrações entusiásticas em que participaram figuras públicas, que desempenharam e desempenham cargos de grande responsabilidade social. O verdadeiro estado da nação está espelhado nestes episódios da vida quotidiana.
A criação de mitos é sempre servida por poderosas máquinas comunicacionais. À sombra dos mitos acoitam-se legiões de incondicionais. E quando o processo claudica, face à linguagem incontestável dos resultados, é degradante ver a máquina em tentativa desesperada de se auto-alimentar, à custa do que julgam ser a irracionalidade dos outros.
Caiu Jardim Gonçalves, caiu Rendeiro, caiu Oliveira e Costa, caiu Dias Loureiro, afunda-se Sócrates e este PS alienante e redutor. O eleitorado tem dois meses para lhe analisar a imensa caixa negra e perceber as causas do desastre.
No que à Educação respeita, a próxima legislatura tem uma tarefa: apanhar os cacos e trazer paz às escolas e aos professores. Para isso tem, entre outras, oito acções incontornáveis, a saber:
a) Assumir, finalmente, a autonomia das escolas. O paradigma tradicional de gestão do sistema está esgotado. O poder tem de confiar nos professores e entregar-lhes a responsabilidade efectiva de gestão das suas escolas. Como corolário óbvio, devem ser extintas as direcções regionais de Educação e proceder-se à adequação consequente da estrutura orgânica do Ministério da Educação. As valências centrais devem limitar-se à definição das políticas de natureza nacional, à supervisão, ao controlo da qualidade e aos instrumentos de avaliação e relativização dos resultados. Deste enunciado genérico emana a imperiosa necessidade de despolitizar todos os serviços técnicos. Há que ganhar uma estabilidade de funções, que persista para lá das mudanças dos políticos, protegendo a administração superior da volatilidade política.
b) Conceber um verdadeiro estatuto de carreira docente, em que os professores portugueses se revejam, que seja instrumento de desburocratização da profissão, fixador de claro referencial deontológico, gerador de estabilidade profissional e indutor de uma verdadeira autonomia responsável, de natureza pedagógica, didáctica e científica. Naturalmente que o fim da divisão da carreira em duas é obrigatório. Naturalmente que a adequação das necessidades das escolas à dimensão dos quadros é desejável.
c) Definir um modelo de avaliação do desempenho útil à gestão do desempenho, isto é, que identifique obstáculos ao sucesso e se oriente para os solucionar, que tenha muito mais peso formativo que classificador. Que se preocupe mais com a apropriação, por parte dos professores, dos valores que intrinsecamente geram sucesso e melhoram o desempenho, que com os instrumentos que extrinsecamente o pretendam promover. Que reflicta a evidência da complexidade do acto educativo, que não pode ser alvo dos mesmos instrumentos que se aplicam à medição de bens tangíveis. Que assente no reconhecimento de que a actividade docente tem uma natureza eminentemente colaborativa e dispensa instrumentos geradores de competição malsã. Que seja exequível e proporcional à sua importância no cotejo com outras vertentes da profissão.
d) Alterar o modelo de gestão das escolas, compatibilizando-o com o novo paradigma de autonomia, devolvendo-lhe a democraticidade perdida, adequando a natureza dos órgãos às realidades sociais existentes e abandonando a lógica concentradora do poder num só órgão.
e) Alterar o estatuto do aluno, orientando-o como instrumento promotor de disciplina e gerador de responsabilidade, rigor e trabalho. Deve ser abandonada a promoção estatística do sucesso e retomada a seriedade dos instrumentos de certificação dos resultados.
f) Redefinir globalmente os planos de estudo e os programas disciplinares, articulando-os vertical e horizontalmente. Cabe aqui a aceitação de que há limites institucionais e pessoais, uma hierarquização de importância das diferentes disciplinas, em função de faixas etárias, ciclos de estudo e orientação vocacional, e um papel nuclear de outras, que se deve reflectir na composição dos curricula.
g) Reorganizar as actividades de resposta a necessidades educativas especiais, com expresso abandono de utilização, em contexto pedagógico, da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) e retorno dos professores especializados ao trabalho exclusivo com crianças portadoras de necessidades especiais.
h) Devolver aos professores espaço e tempo para reflexão sobre a prática profissional e autoformação e promover o debate sobre conceitos educacionais não suficientemente apreendidos pela sociedade. Com efeito, a insuficiente tentativa de obter consensos possíveis sobre esses temas e o fomento de climas de quase ódio entre correntes doutrinárias opostas e ideologias políticas diversas têm impedido que as decisões perdurem para além dos tempos políticos e mudem em função do livre arbítrio de sucessivos governos e ministros.”
Santana Castilho, professor do ensino superior, no "Público" de hoje

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Terça-feira, 7 de Julho de 2009

Valter Lemos e a “stand up comedy” (2)

Foram afixadas hoje as pautas da 1ª fase dos Exames Nacionais do Ensino Secundário. Na conferência de imprensa, promovida pelo Ministério da Educação (ME), para apresentação dos resultados, o Secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, afirmou: “Os resultados da 1.ª fase dos exames do Ensino Secundário evidenciam uma tendência de estabilidade dos resultados, numa época de exames que tem sido exemplar, com provas de elevada qualidade, adequadas e, até ao momento, sem falhas.” Em primeiro lugar, acho que devemos agradecer a esta equipa do ME, pelo facto de os “resultados evidenciarem estabilidade dos resultados”. Em segundo lugar, devemos estar gratos ao GAVE (organismo do ME responsável pela elaboração dos exames pelas provas “de elevada qualidade e até ao momento sem falhas”, produzidas. Isto, apesar dos vários erros, perdão, apesar dos vários lapsos, gafes e perdas de rigor científico, das provas (“de elevada qualidade”) emanadas daquele “Gabinete”, nomeadamente o exame de Física e Química A (código 715), por sinal, uma prova, uma vez mais, excessivamente fácil, com consulta de formulário e de inúmeras páginas dos cadernos e dos livros que os alunos colocam nas calculadoras gráficas programáveis permitidas pelo ME, que ainda assim, se mantém de há longos anos a esta parte, a pior média a nível nacional (8,4 valores, este ano), e a disciplina com maior percentagem de reprovações (24% em 2009).
Quem gostar de humor negro, pode ler aqui o texto integral das declarações do Secretário de Estado, e ver aqui, as médias nacionais dos exames da 1ª fase, dos quatro últimos anos.
Apache, Julho de 2009

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Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

A última música que Michael Jackson cantou

Nunca fui fã da música de Michael Jackson, reconheço no entanto que conjuntamente com Madonna (13 dias mais velha) constitui um dos maiores ídolos musicais das últimas décadas. Excêntrico, polémico, amiúde envolto em rocambolescos “acontecimentos”, mas acima de tudo um artista com qualidades excepcionais, Michael Jackson, o cantor que detém vários recordes de discos vendidos, deixou-nos de forma inesperada em circunstâncias ainda por apurar. É em jeito de singela homenagem que deixo minuto e meio da música “They don´t care about us” (a música cujo videoclipe foi gravado na Favela de Santa Marta, no Rio de Janeiro), a última do seu último ensaio a 23 de Junho de 2009, cerca de 40 horas antes de partir.

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Apache, Julho de 2009

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Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Estará o PS a trabalhar para a maioria absoluta… do PSD?

No último debate parlamentar antes das férias, Manuel Pinho, à hora, Ministro da Economia dirigia-se aos deputados nos moldes que a imagem documenta.
Portugal, a mais velha nação da Europa e historicamente uma das mais prestigiadas nações do mundo, não pode continuar a dar-se ao luxo de ter, há vários anos a esta parte, nos mais altos cargos da nação, gentinha sem competência, sem educação, sem cultura e sem o mínimo sentido de estado. Se os principais partidos políticos querem reocupar alguma credibilidade junto da opinião pública, além de uma imperiosa alteração de políticas, têm de parar de arregimentar nas suas fileiras a borra da nossa sociedade.
Apache, Julho de 2009

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Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Temos a escola que a maioria quer?!

“As provas de avaliação sempre suscitaram a repulsa dos pedagogos “modernos”. O argumento era o de que semelhantes testes não reflectem o que os alunos realmente sabem. Os exames nacionais aplicados pelo corrente Ministério da Educação demonstram que os pedagogos “modernos” tinham razão: as notas aproximam-se da excelência e os alunos não sabem nada.
Isto sucede porque cada ano os exames se vão adequando ao QI de Forrest Gump. Por enquanto a subida nas respectivas médias só eleva as crianças indígenas a lugares honrosos nas tabelas comparativas internacionais. Mas quando o exame de Matemática do 12.º ano se resumir a pintar com guache o algarismo 8, não duvido que o topo das tabelas será nosso. Parece bom? Se calhar é bom. É certo que, aqui ou ali, duas dúzias de líricos protestam as quebras nos padrões de exigência e avisam que o Estado está a fabricar idiotas. E depois? Não compete ao Estado democrático formar génios: compete-lhe, como prometia a Declaração de Independência americana, criar condições para a felicidade das pessoas. E as pessoas, pelo menos no que toca ao ensino, estão felizes.
O ministério congratula-se com o brilharete estatístico. As crianças também andam contentes e, embora exibam dificuldades em se exprimir numa língua existente, surgem nos “telejornais” a considerar “bué da fácil” os testes de Português. E a CONFAP, uma coisa que diz confederar as associações de pais, aplaude, ressalvando que os exames ainda são um nadinha exigentes e que, em vez de se ocupar com trivialidades, a escola tem de investir na “componente de apoio à família”, leia-se armazenar por tempo indefinido os meninos que os progenitores não aturam.
A experiência própria junto dos pais (não confederados) que conheço, confirma a tendência. Com excepções, a maioria aceita com jovialidade que no final da “primária” (ignoro a designação actual), a descendência não consiga identificar o País num mapa ou demore meia hora a ler um rótulo de Nestum. Suponho que, no final do “secundário”, a descontracção face a estes ligeiros óbices permaneça igual. A única função que a generalidade dos pais exige à escola é a de ama-seca, capaz de lhe devolver os petizes ao fim do dia em perfeita saúde e, o que não custa, com um boletim escolar limpo de reprovações, castigos e demais maçadas. O pormenor de os cérebros dos petizes continuarem limpos de instrução não perturba milhões de envolvidos.
E porque deverá perturbar um punhado de observadores distantes? Numa perspectiva racional, de facto não há motivo para que a escola preste serviços não requisitados pela sociedade em que se insere. Se quase ninguém o deseja, o ensino tradicional perdeu a razão de ser, e por isso até estranhei ver o eng. Sócrates, na entrevista à SIC, todo orgulhoso por oferecer às crianças “competências informáticas” e fluência em Inglês. Logo a seguir, porém, lembrei-me que a informática corresponde aos joguinhos do Magalhães e que o Inglês é provavelmente técnico. A notável carreira do eng. Sócrates mostra que não é preciso muito mais.”
Alberto Gonçalves, na “Sábado” da passada quinta-feira (25/06/2009)

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Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

Pois é! Mas isso não interessa nada a certos "artistas".

"Afirmar que o dióxido de carbono antropogénico é responsável pelo aquecimento do clima da Terra é cientificamente insuportável." [Tradução minha]
Patrick Frank, doutorado em Química pela Universidade de Stanford (Califórnia), Maio de 2008

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Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

Politica à portuguesa

“A política converteu-se numa vasta associação de intriga, em que os sócios combinam dividir-se em diversos grupos, cuja missão é impelirem-se e repelirem-se sucessivamente uns aos outros, até que a cada um deles chegue o mais frequentemente que for possível a vez de entrar e sair do governo. Nos pequenos períodos que decorrem entre a chegada e a partida de cada ministério o grupo respectivo renova-se, depondo alguns dos seus membros nos cargos públicos que vagaram e recrutando novos adeptos candidatos aos lugares que vierem a vagar. É este trabalho de assimilação e desassimilação dos partidos, que constitui a vida orgânica do que se chama a politica portuguesa.
(…)
A opinião pública, marasmada pela indiferença, desabitua-se de pensar e perde o justo critério por que se julgam os homens e os factos.”
Ramalho Ortigão, “As Farpas”, 15 de Setembro de 1877

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Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

Teixeira dos Santos, o cómico

O Estado privatizou o BPN mas não injectou dinheiro nele, a Caixa Geral de Depósitos, sim! Será que sou eu o principal accionista da Caixa?
Serão os sistemas de supervisão capazes de detectar situações de fraude deliberadamente montadas para as autoridades descobrirem?
Apache, Junho de 2009

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Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

Nas últimas eleições europeias alguns votaram duas vezes